Brasília, 07 (AE) - Uma comissão formada por integrantes do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal (PF) e do Ministério da Justiça, nos moldes da que atuou no Acre investigando os grupos de extermínio, deverá acompanhar as investigações sobre a ação da Polícia Militar (PM), dia 2, em Brasília, que deixou um morto e dezenas de feridos. O jardineiro da empresa Novacap José Ferreira da Silva foi morto por um tiro de arma calibre 12 quando a PM tentava reprimir a manifestação dos servidores.
A comissão foi sugerida hoje ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, do Ministério da Justiça, pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Nilmário Miranda (PT-MG). O conselho acatou a sugestão de Miranda, que colocou sob suspeita os nomes indicados pelo governo do DF para acompanhar o caso.
Amanhã (08) o presidente do Inquérito Policial Militar (IPM), o coronel refomado da PM José Fernandes da Silva Nascimento ouvirá duas das vítimas em depoimento fechado. Cinco peritos da Polícia Civil analisaram fitas de vídeo com as imagens da operação da PM e encontraram evidências sobre a autoria do tiro que matou o servidor. À tarde, o governador Joaquim Roriz (PMDB) sancionou a lei que garante o pagamento de indenização às vítimas do confronto.
Além da PF e do MPF, Miranda quer um integrante da Ordem dos Advogados do Brasil na comissão. Os deputados Agnelo Queiroz (PC do B-DF) e Geraldo Magella (PT-DF) vão acompanhar as investigações. Amanhã (08) a comissão recorrerá à Justiça pedindo o impedimento do coronel reformado da PM, José Fernandes da Silva Nascimento, designado para presidir o inquérito. Os 19 policiais que portavam armas de calibre 12 - quatro deles oficiais - continuavam presos hoje.
Justiça Militar - Hoje, após a reunião do conselho, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, defendeu a extinção da Justiça Militar estadual, prevista no relatório da reforma do Judiciário, preparado pela deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP). Segundo Dias, todos os crimes praticados por militares deveriam ser julgados pela Justiça comum. O ministro propôs a desmilitarização da polícia. Disse ter encomendado estudo sobre o uso de armas por PMs à Secretaria Nacional de Segurança. Para o ministro, é injustificável o uso de armas de fogo em manifestações como a ocorrida em Brasília. Há em tramitação na Câmara um projeto regulamentando essa questão.
Depoimentos - Ao depor na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pela manhã, o ex-secretário de Segurança do DF, Paulo Castelo Branco, classificou de "absurda" a operação da PM na manifestação da Novacap. Apesar do tiroteio, ele não interferiu. O ex-secretário insinuou que o vice-presidente do sindicato dos servidores, C‹cero Rôlla, seria o pivô do confronto e, desde cedo, procurava um cadáver.
O comandante da PM, coronel Antônio Ribeiro da Cunha, disse não ter autorizado o uso de munição real. Explicou também que a ida do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para a área partiu do subcomandate da corporação, Mário Vieira, por ordem superior.

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