Após a confirmação de 14 casos de tuberculose, uma comissão técnica formada por profissionais da saúde e representantes de outras áreas vai elaborar um plano de ingresso dos detentos para que todos sejam examinados desde a entrada nas unidades prisionais. O projeto piloto, que será implantado em Londrina, foi anunciado pelo diretor-geral do Departamento de Execução Penal no Paraná (Depen), Luiz Alberto Cartaxo, após reunião convocada pela Comissão de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania da Câmara de Vereadores.
Segundo Cartaxo, nove presos da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) foram diagnosticados com tuberculose. Destes, seis permanecem em celas separadas dos demais e três estão internados no Hospital Universitário (HU). "Assim que receberem alta, eles serão monitorados por mais 30 ou 40 dias no Complexo Médico Penal", ressaltou. "Fizemos um mutirão dentro da PEL 2 com todos os presos que apresentavam sintomas. Isso resultou em 58 exames que estão sendo realizados, 27 deles já com resultado negativo para tuberculose e amanhã [hoje] teremos o restante de todos esses resultados. Uma vez constatado mais casos de tuberculose, eles serão devidamente tratados pelo sistema de saúde e deveremos ter isso tudo controlado nos próximos dias", garantiu.
Além dos nove casos monitorados na PEL 2, um detento que cumpria pena na unidade morreu no dia 25 de março semanas após contrair a doença. Três presos da PEL 1 e um preso da Casa de Custódia de Londrina (CCL) também já foram diagnosticados com tuberculose.
Para o representante em Londrina do Conselho Permanente de Direitos Humanos do Estado do Paraná (Coped), Carlos Santana, a falta de melhorias na estrutura da PEL 2, seis meses após a rebelião que praticamente destruiu a unidade, reflete na saúde dos presos. "Isso nos deixa muito preocupados porque as duas unidades juntas [PEL 1 e PEL 2] estão com mais de 1,5 mil detentos. Precisa ser feito algo no sentido de melhorar as condições das duas unidades. As condições precárias da PEL 2 são denunciadas constantemente desde a rebelião", lembrou. O Coped ainda aguarda resposta ao pedido de interdição total da PEL 2 formalizado na última semana.
Conforme Cartaxo, o governo do Estado deve lançar em breve uma licitação para a restruturação da unidade com o valor máximo de R$ 2,7 milhões. Representantes do Ministério Público e da Prefeitura de Londrina também participaram da reunião. O promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais e de Saúde Pública, Paulo Tavares, acompanha as medidas adotadas nas unidades prisionais. Segundo ele, caso haja a necessidade de transferência de presos, representantes da Vigilância Sanitária farão a solicitação ao Depen. "Nós não podemos correr riscos, ainda mais agora com as temperaturas mais baixas, nós poderemos ter também casos de H1N1. A nossa preocupação é que todos sejam devidamente isolados e que recebam o tratamento necessário para combater essa doença", ressaltou.
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, Lenir de Assis, informou que vai acompanhar a criação da comissão técnica que pretende trabalhar para evitar um surto da doença dentro das unidades prisionais e ainda cobrar mais agilidade nas melhorias estruturais da PEL 2. "Hoje nós temos uma pauta que não foi cumprida pelo governo do Estado, sobretudo na restruturação da PEL 2 após a rebelião. Agora precisamos ainda conter esse volume de casos de tuberculose para que não vire um surto. Queremos promover um diálogo para garantir o tratamento para quem está doente e evitar que esses números se alterem", concluiu.

mockup