Comissão rejeita tese da defesa e mantém processo contra Maeli
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domingo, 18 de julho de 1999
Por Gabriella Carelli 
São Paulo, 19 (AE) - A Comissão Processante que avalia o pedido de cassação da vereadora Maeli Vergniano (sem partido) decidiu por unanimidade, depois de muito atraso e muitas suspeitas de articulação para evitar o afastamento da parlamentar, dar prosseguimento aos trabalhos. Os sete vereadores que integram a comissão, dos quais cinco são da base de apoio ao prefeito Celso Pitta (sem partido), ficaram reunidos por quase quatro horas, das 15 às 18h50. O anúncio oficial da decisão estava marcado para 18 horas.
Eles não acolheram a fundamentação da defesa de Maeli. A defensora da vereadora, Tânia Nogueira, havia argumentado que as provas tinham sido coletadas por meios ilícitos e teria havido oferecimento de vantagens a testemunhas, coação e cerceamento de defesa. A princípio, a comissão havia elaborado dois pareceres. O da presidente da comissão, Ana Maria Quadros (PSDB), era mais detalhado e o da relatora, Myryam Athie (PPB), mais sintético. Os vereadores optaram pelo segundo parecer, o que pode representar, de acordo com comentários na Câmara, um indício de outra manobra para evitar a cassação da vereadora.
O depoimento de Maeli na Comissão Processante está marcado para quarta-feira, às 10h30. Na quinta-feira serão ouvidas as testemunhas de acusação e na sexta, as de defesa. Foi indeferido o arrolamento do vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT) como testemunha de defesa da parlamentar. Ele vai ser ouvido como informante. Suspeitas - O entra-e-sai de assessores de vereadores governistas no gabinete de Maeli durante toda a tarde de hoje levantou suspeitas sobre a decisão final da comissão - pelo arquivamento ou não do processo de cassação. Veradores governistas garantiram que receberam telefonemas de um homem forte do governo Pitta para relevar e avaliar melhor a situação. As ligações foram feitas entre a noite de domingo e a manhã de hoje.
Assessores de Maeli informaram, às 18h30, que ainda teriam 50% de chances de ganhar a causa e mostravam-se bastante esperançosos com a articulação. Entre os integrantes dos partidos de esquerda, os comentários eram de que Maeli poderia garantir-se com a ajuda e influência de parlamentares considerados os "cardeais" da Câmara, com os quais ela ainda tem vínculos fortes.
Maeli entregou sua defesa na sexta-feira e rebateu ponto a ponto as acusações. Além das 54 páginas de texto, foram anexadas 182 páginas de documentos de apoio e um laudo de vistoria de seu imóvel em São Paulo. Maeli está sendo acusada de contratar funcionários que não trabalhavam em seu gabinete, comandar o esquema de propina da Administração Regional de Pirituba e utilizar carros da empresa Vega para uso pessoal.


