Comissão reconhece anistiados políticos
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sábado, 27 de outubro de 2012
Rubens Chueire Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - Reconhecimento público como anistiado político, pedido de desculpas formal do Estado brasileiro, indenização e a possibilidade de retornar à universidade. Este foi o resultado do julgamento do comerciante Flávio Monteiro de Mello, de 67 anos, de Londrina. O caso dele foi um dos muitos analisados pelos conselheiros da Comissão da Anistia, ontem, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Curitiba. Foram julgados processos de ex-presos políticos que tiveram seus direitos violados no Paraná.
''Foi muito emocionante, um dia em que voltei ao passado. Não há como falar sem sentir emoção por tudo o que passei. É claro que aceitei o pedido de desculpas, mas para determinadas coisas não existe reparação'', disse Melllo, logo após ter seu pedido de anistia confirmado.
Mello se disse surpreso com a proposta da comissão de conceder uma vaga no curso de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em 1968 estudou até o quarto período do curso em São Bernardo do Campo (SP), antes de se envolver com o movimento estudantil e ser preso. Solto, foi para o Rio de Janeiro e trabalhou numa empresa de máquinas de escrever. Mesmo assim, foi encontrado pelos militares e passou mais um ano e meio na prisão. Em 1971, aos 26 anos, retornou a Londrina. ''Não esperava voltar à universidade. Vou pensar com muito carinho nessa possibilidade'', informou.
De acordo com o secretário Nacional de Justiça (SNJ) e presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Júnior, esta caravana não impactou somente pela quantidade de processos (mais de 30), mas pela diversidade de beneficiados. ''Professores, sindicalistas, estudantes, profissionais liberais, todos foram vítimas desta cultura autoritária. A violência que a nossa ditadura produziu tem reflexos até hoje'', ressaltou. Ele ainda reforçou que desde já as caravanas têm gerado uma massa crítica na sociedade, que faz com que novas exigências, como a condenação de torturadores, sejam feitas.
Cerca de 60 mil pedidos de anistia já foram apreciados até hoje no País. Outros 15 mil ainda serão analisados em outras caravanas. Os valores das indenizações serão divulgados posteriormente.


