O caso Zanella também foi denunciado ontem, em Curitiba, à Comissão de Direitos Humanos. Elizabetha Zanella, mãe do estudante Rafael Zanella, morto numa desastrada abordagem policial em maio de 1997 no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, fez um depoimento emocionado.
Elizabetha lembrou que nenhum dos culpados foi punido administrativamente pelo governo. ‘‘Os policiais civis continuam trabalhando. O Rafael faz uma falta enorme, mas pra eles não foi nada’’.
Apesar do governador Jaime Lerner e o então secretário de Segurança Pública, Cândido Martins, terem ido prestar condolências pela morte do filho, Elizabetha afirmou que ambos nada fizeram na prática. ‘‘Quero a ajuda da comissão para evitar que o processo interno contra os policiais não continue parado’’.
Representantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) entregaram documentos que incriminam o grupo racista ‘‘Carecas do Brasil’’ pelo assassinato de Carlos Adilson Siqueira no Largo da Ordem, em Curitiba, há quatro anos. Ele foi morto com dois tiros. Motivo: era negro. Ninguém está preso.
O sem-terra Abrahão Mateus falou sobre os conflitos com a PM na BR-277 há 11 dias. Mateus exibiu ferimento numa de suas pernas onde está presa uma bala de revólver. Ele denunciou que ficou por mais de duas horas sem atendimento mesmo com a presença de ambulâncias do Corpo de Bombeiros na rodovia.
A agricultora Cleonilda da Cruz Gonçalves, 17 anos, que também seguia com o grupo em direção a Curitiba, foi a que sofreu os piores ferimentos. Ela foi colocada em uma maca para assistir à audiência. A adolescente teve fraturas nas pernas e não poderá caminhar pelos próximos três meses.

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