Comissão quer tecnologia européia na Banda C
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Claúdia Dianni e Gustavo Paul 
Brasília, 10 (AE) - Para convencer a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a adotar o padrão europeu de 1,8 gigahertz para a banda C de telefonia celular, a União Européia está argumentando que o padrão norte-americano, de 1,9 gigahertz
deveria ser reservado para a exploração da telefonia celular de terceira geração, ainda não disponível no mercado. Segundo o representante da Comissão Européia no Brasil, Rolf Thimans, a União Européia notificou o governo brasileiro sobre a orientação da União Internacional de Telecomunicação (UIT) nesse sentido.
"A União Européia está firmemente convencida de que o padrão 1,9 deve continuar reservado para a terceira geração", disse Thimans. A Anatel tem até meados de abril para decidir o padrão de frequência que vai adotar. A decisão do governo brasileiro pode beneficiar investimentos de empresas americanas ou européias. A disputa envolve a exploração de um mercado avaliado em US$ 10 bilhões.
A banda C, que deverá começar a ser utilizada no ano que vem, permite a transmissão telefônica de voz e dados ao mesmo tempo, em qualquer local do mundo, o que possibilita a conexão do celular à Internet. A terceira geração, que prevê a transmissão de imagens por celular, ainda não existe.
Além de defenderem a reserva da frequência utilizada pelos americanos para a terceira geração, os europeus argumentam que o padrão europeu é mais viável comercialmente. Isso porque a tecnologia americana é menos utilizada no resto do mundo, enquanto a européia, conhecida como GSM, é utilizada por vários países, inclusive asiáticos. "O fato de a européia Nokia ter transferido sua sede da Argentina para o Brasil é um exemplo significativo", disse Thimans.
Apesar de o padrão europeu ser mais utilizado, ele só comporta o sistema GSM, enquanto a frequência americana comporta os sistemas CDMA e TDMA, utilizados pelos celulares no Brasil. Também comporta o sistema GSM. A Anatel informou que o governo não vai se pronunciar até que seja anunciada a escolha da agência.


