São Paulo, 09 (AE) - A comissão especial que avalia o pedido de abertura do processo de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN) realiza amanhã (10), na Câmara Municipal, a partir das 14 horas, a segunda reunião para discutir a denúncia contra o prefeito de São Paulo, apresentada pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). O encontro entre os sete vereadores deverá ser feito a portas fechadas, como ocorreu na primeira reunião, semana passada.
A comissão terá até quinta-feira (13) para emitir um parecer, indicando se a denúncia deve ser arquivada ou transformada em acusação. Se 4 dos 7 vereadores entenderem que não há provas suficientes para instalar uma Comissão Processante para apurar as acusações de corrupção contra o prefeito paulista
a denúncia nem vai a plenário para votação. Os votos dos vereadores Ivo Morganti (PMDB) e Natalício Bezerra (PTB) ainda dividem a atenção da oposição na comissão, integrada por Arselino Tatto (PT), Carmino Pepe (PL) e Gilson Barreto (PSDB), porque podem decidir pelo arquivamento ou não da denúncia. Apesar de dirigentes do PMDB terem assumido e determinado à bancada tomar posição favorável à abertura do processo de impeachment, Ivo Morganti ainda se diz indeciso. Além disso, ele repetiu, em várias oportunidades, que é amigo do prefeito Celso Pitta. Na última quinta-feira, logo após o término da primeira reunião da comissão, o presidente municipal do PMDB, João Oswaldo Leiva, tentou entregar uma carta a Morganti, na qual a executiva do partido pede ao peemedebista que vote a favor da abertura de uma Comissão Processante. Quando chegou no gabinete do vereador, Leiva foi informado pela assessoria que Morganti precisou ser atendido por um médico, fora da Câmara, por causa de uma queda de pressão.
Já Natalício Bezerra não está convencendo a oposição de que votará pela instalação de uma Comissão Processante, segundo orientação do presidente do diretório estadual do PTB, Campos Machado. Bezerra diz que provará "a quem quer que seja que tem palavra, votando contra o prefeito". Mas, ao final da primeira reunião entre os integrantes da comissão, admitiu que poderia mudar de opinião de acordo com os desdobramentos da avaliação da comissão. "Hoje eu sou contra o prefeito, mas posso mudar de idéia, porque minguém sabe o dia de amanhã. Eu nem sei se estarei vivo", argumentou o petebista.
Manobra - Há uma semana da decisão, o bloco de oposição ao prefeito na Câmara já comentava uma possível manobra da base aliada do governo na comissão para assegurar o arquivamento do processo. A estratégia para garantir a vitória do Executivo consistiria na utilização do critério de desempate, que consta no Regimento Interno da Câmara. Em caso de a votação terminar em placar igual, o voto de minerva caberá ao presidente da comissão
Wadih Mutran (PPB).
O pepebista era o vice-líder do prefeito na Câmara até terça-feira da semana passada, quando foi escolhido pela bancada do PPB para representar o partido nos trabalhos da comissão. O PPB também indicou Brasil Vita, eleito para ocupar o cargo de relator depois de ter assumido, desde o início do mandato desta gestão, a liderança de Celso Pitta na Câmara Municipal.
Se a comissão emitir parecer concluindo que a denúncia deve ser transformada em acusação, o plenário decidirá se admite a constituição de uma Comissão Processante. Para isso, 3/5 dos membros da Câmara, ou seja, 33 dos 55 vereadores devem votar favoravelmente. A partir daí, é formada uma nova comissão, composta por 7 vereadores sorteados, que terão 90 dias para apurar as denúncias. Neste prazo, os vereadores devem colher provas e ouvir depoimentos.
Ao final do processo, se os vereadores decidirem pela cassação do mandado do prefeito Celso Pitta, as bancadas deverão somar 37 votos, ou seja, 2/3 dos integrantes da Câmara Municipal de São Paulo.

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