Comissão pedirá processo contra Noronha e corte de salário
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sexta-feira, 07 de abril de 2000
Luciana Pombo <br> De Curitiba 
A Comissão de Sindicância do Estado que investiga o envolvimento de policiais civis com o crime organizado e o narcotráfico vai pedir, na próxima quarta-feira, a abertura do terceiro processo administrativo e disciplinar contra o ex-delegado-geral da Polícia Civil João Ricardo Képes Noronha, e o corte definitivo de seu salário. A decisão foi tomada após a reunião de ontem, quando Noronha deveria ser ouvido. Ele não veio e nem o advogado deu qualquer justificativa para que ele não viesse se explicar, afirmou o secretário de governo e chefe da Casa Civil, José Cid Campêlo Filho, presidente da comissão.
O terceiro processo será baseado nos artigos 210, 212 e 213 do Estatuto da Polícia Civil, que fala sobre a desobediência a ordens superiores e que prevê a pena de demissão. Os outros dois processos disciplinares que foram abertos têm como base as investigações de inquéritos policiais e o abandono de emprego. Os três processos implicam demissão, afirmou Campêlo.
Na segunda e terça-feiras, os integrantes da Comissão de Sindicância se reúnem para elaborar o relatório final. A comissão é formada por Francisco Accioly Neto (OAB), Maria Eisa Paciornik (Administração), Joel Coimbra (Procuradoria Geral do Estado), Algaci Túlio (Assembléia Legislativa), Vani Bueno (Ministério Público) e José Cid Campêlo (Casa Civil). Campêlo não quis adiantar detalhes do relatório, mas afirmou que serão feitas sugestões para a mudança da estrutura da Polícia Civil.
Na semana passada, foi apresentado um relatório parcial pedindo a abertura de processos disciplinares contra 17 policiais civis (13 investigadores e quatro delegados) e o corte de 50% dos vencimentos até que todas as supostas irregularidades cometidas por eles sejam investigadas. Um dos processos que já estão nas mãos do secretário da Segurança Pública, José Tavares tem 743 páginas. Vamos analisar tudo e enviar para o Departamento de Polícia Civil, para que todas as providências sejam tomadas, antecipou Campêlo.


