Brasília, 12 (AE) - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) decidiu hoje solicitar mais informações à Hoechst Schering Agrevo sobre o milho transgênico que a empresa quer comercializar no Brasil. Depois de quatro reuniões para discutir o pedido de liberação comercial do milho tolerante ao herbicida glifozato, a comissão ainda tem dúvidas relacionadas à segurança alimentar.
O presidente da CTNBio, Luiz Antônio Barreto de Castro, adiantou que a comissão deseja receber relatórios comparando a reação orgânica dos animais de laboratórios alimentados com o milho transgênico comparada a dos outros que comeram apenas milho não-transgênico. A comissão pretende descobrir se o organismo dos animais foi afetado de alguma maneira.
A comissão cobrará também dados adicionais das pesquisas sobre o resídio do herbicida glifozato no farelo. O milho transgênico da Hoechst contém uma proteína colocada geneticamente para bloquear a ação do herbicida glifozato. "Queremos saber se essa proteína tem algum efeito negativo quando o homem consome o milho", afirmou. Pelas informações iniciais, conta Castro, essa proteína não teria efeito prejudicial para os seres humanos.
O processo sobre o milho modificado geneticamente que a CTNBio está analisando, no momento, está à disposição de qualquer cidadão, informou hoje Castro. Ele conta que até agora apenas um representante do Greenpeace, a ONG ambientalista, pediu cópias do processos, mas ainda não apresentou qualquer contestação. Segundo Castro, existem hoje no mundo 27,8 milhões de hectares nos quais estão sendo produzidos soja, milho, algodão, canola e batata modificados geneticamente. Desse total, 14,5 milhões de hectares usados para cultivo de soja e outros 8 3 milhões de hectares, milho.
Defesa - O presidente da CTNBio não concorda com a posição do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, que ontem (11) condenou o plantio de produtos transgênico no Brasil. "Por coerência com todas as atitudes da CTNBio no exercício da lei nos últimos três anos e como porta-voz da comissão tenho de discordar", afirmou.
Castro enfatizou que a sua defesa não se referia ao alimento transgênico de um modo geral, mas em especial à soja tolerante ao glufozinato da Monsanto, a única que a CTNBio liberou para comercialização mas que para entrar no mercado ainda precisa cumprir outras exigências legais. "Do ponto de vista da biossegurança, tanto com relação à segurança alimentar quanto ambiental, essa soja não tem nenhum problema para a sociedade", afirmou.

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