Luciana Pombo
A comissão especial da Assembléia Legislativa, encarregada de acompanhar a vistoria em sete fazendas desocupadas na região Noroeste do Paraná, apresentou ontem o relatório final apontando os prejuízos dos proprietários de terras com os acampamentos de sem-terra em áreas consideradas produtivas e com o mandado de reintegração de posse decretado pela Justiça.
Os prejuízos dos proprietários das terras invadidas, segundo o relatório, ultrapassam R$ 950 mil. Os sem-terra são acusados de ter furtado 100 jacarés, 384 cabeças de gado, 147 novilhas e cobrar pedágio para que a soja fosse colhida numa das fazendas invadidas. Eles ainda são responsabilizados pela destruição de casas, furto de mobília e objetos pessoais, utilização de maquinários, ameaça a proprietários de fazendas, furto de madeira, porte ilegal de armas e de terem ateado fogo em pastos.
‘‘Este relatório é na verdade um dossiê que demonstra a forma como as lideranças sem-terra agem no Paranᒒ, disse o coordenador da comissão, deputado Plauto Miró (PFL).
Segundo o deputado pefelista, o relatório, com 200 páginas, foi feito após dez dias de compilação de dados, transcrição de depoimentos de fazendeiros, funcionários e moradores da região e visita a sete propriedades da região de Querência do Norte. ‘‘Nos mil quilômetros rodados só encontramos a destruição deixada pelos sem-terra’’, argumenta Miró.
O deputado Divanir Braz Palma (PPB), um dos integrantes da comissão especial, disse que o trabalho tem como meta mostrar os problemas das ocupações irregulares de terra e acelerar o processo de reforma agrária. ‘‘Não somos contra a reforma agrária, só queremos que ela ocorra dentro das normas legais’’, afirmou ele.
O parecer final da comissão deveria ter sido aprovado ontem na Assembléia Legislativo, mas ficou para segunda-feira por causa do protesto dos professores e lideranças sem terra. Após a aprovação, o relatório deverá ser encaminhado ao governador Jaime Lerner, ao Tribunal de Justiça, Ministério Público e Ministério da Reforma Agrária. ‘‘Ficou claro para todos nós que não houve qualquer violência contra os sem-terra, houve violação das propriedades agrícolas invadidas’’, argumentou Miró.
No relatório apresentado ontem à imprensa foram anexados 50 boletins de ocorrências com queixas dos proprietários à polícia contra os sem-terra por roubo ou depredação das terras. Ainda foi constatado que os sem-terra, quando estiveram acampados em locais produtivos, ocuparam menos de 1% da propriedade com plantações. ‘‘Isso prova que o espírito não era o de plantar, era o de destruir’’, disse ele.
Agressões - O deputado federal Padre Roque Zimermann (PT-PR) disse ontem que a comissão especial da Assembléia Legislativa não está retratando a verdade dos despejos nas fazendas invadidas no Noroeste do Estado. De acordo com ele, os sem-terra não praticaram quaisquer atos de vandalismo durante a permanência nos acampamentos. ‘‘Em vez de ver a destruição das fazendas, constatei nas minhas viagens que tudo o que os sem-terra construíram foi queimado brutalmente pelos policiais durante as desocupações’’, acusou ele.
Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), 645 famílias foram retiradas das fazendas desocupadas no Estado. De acordo com o MST, os policiais destruíram nos despejos 242 alqueires de mandioca, 214 de feijão e 260 de milho.Relatório da comissão da AL foi apresentado ontem e aponta perdas superiores a R$ 950 mil aos proprietários que tiveram terra invadida
Mauro FassonDa esq. a dir: deputados Edno Guimarães, Luiz Accorsi, Plauto Miró, Divanir Palma, Miltinho Puppio e Luiz ‘Litro’Mauro FrassonTrabalhoComissão visitou sete fazendas desocupadas na região Noroeste para elaborar o relatório sobre situação das áreas

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