Comissão lança campanha para arrecadar documentos
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sexta-feira, 27 de junho de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Curitiba-Lançada ontem no seminário ''Anistia e Democracia - Direito à Memória e à Verdade'', promovido pelo Grupo Tortura Nunca Mais, a Campanha de Doação e Arrecadação de Documentos, realizada pelo Ministério da Justiça, pretende reunir e sistematizar o acervo de documentos (dossiês administrativos, fotos, relatos, testemunhos, livros, arquivos de áudio, entre outros) relativos ao período de repressão da ditadura militar, para criação do Memorial da Anistia Política no Brasil.
A campanha, segundo o presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão Júnior, deve ''desvelar uma parte significativa da história brasileira, que permanece oculta até hoje''.
O primeiro documento doado no Paraná veio das mãos do ex-militante Francisco Luiz França, de 86 anos. Em 1975, em plena vigência da ditadura militar, ele foi preso em sua casa, em Curitiba, acusado de subversão e levado ao Destacamento de Operações e Informação - Centro de Operação de Defesa Interna (Doi-Codi), onde foi torturado.
Além de torturas físicas, psíquicas (ameaças de morte) e morais (informavam à sua família que ele estava em companhia de uma amante no litoral), França foi condenado a quatro anos de prisão. Em 2005 ele conseguiu ser indenizado pelos governos Estadual e Federal, recebendo R$ 130 mil. ''Isso não paga nada, tem sequelas que são indeléveis'', afirmou.
Ontem foi realizado o julgamento do processo de indenização de sete paranaenses perseguidos durante o regime militar. Segundo Abrão, até o momento já foram analisados 38 mil processos, de um total de 61 mil em todo território nacional. A expectativa é que até 2010 todos esses requerimentos sejam analisados pela Comissão de Anistia.


