Comissão investiga mortes de pessoas supostamente eliminadas por grupos de extermínio no DF
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Hugo Marques 
Brasília, 01 (AE) - O governo federal vai investigar mais de cem mortes de pessoas que podem ter sido eliminadas por grupos de extermínio no entorno do Distrito Federal, nos últimos dois anos. A ação dos grupos criminosos começou a ser levantada pelo Ministério Público de Goiás, a partir da morte do carroceiro José Roberto Corrêa Leite, o Bertinho, torturado no ano passado dentro do Quartel da Polícia Militar do Novo Gama.
O entorno é formado por 22 municípios goianos que ficam na divisa do DF. Um levantamento da Procuradoria de Justiça de Goiás já catalogou 36 mortes com sinais de execução, praticada por grupos de extermínio, somente no chamado Entorno Sul, a área menos violenta, que abrange as cidades de Cocalzinho, águas Lindas e Padre Bernardo. Quase todos os corpos foram encontrados em pontos de desova, com tiros de execução à queima-roupa e sinais de tortura.
Segundo a procuradora-geral de Justiça de Goiás, Ivana Farina, a primeira estimativa é que mais de cem pessoas foram mortas pelos grupos de extermínio. Comissão - O Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), do Ministério da Justiça, após ouvir hoje um relato de Ivana e do presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos da Câmara, Nilmário Miranda (PT-MG), dediciu criar uma comissão para investigar as mortes.
Miranda disse que há "evidências" de grupos criminosos atuando no entorno, com possível envolvimento de policiais. O corpo de Bertinho foi desovado depois que sete oficiais da Polícia Militar o torturaram no Quartel do Novo Gama. Todos estão presos, aguardando julgamento. Um garoto de 9 anos, principal testemunha do caso, viu Bertinho ser torturado dentro do quartel.
A comissão que vai acompanhar as investigações é formada pelo secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, um representante do Ministério das Relações Exteriores e outro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A comissão vai analisar toda a documentação apresentada por Ivana.
A provuradora disse que a ação de grupos de extermínio se deve à "total omissão do poder público" nos últimos anos. Segundo ela, há quase 1 milhão de habitantes vivendo em localidades sem infra-estrutura adequada. "A condição de vida no entorno é assustadora". Ivana acredita que o problema se tenha agravado a partir da criação de condomínios irregulares.


