Comissão internacional estuda liberação da caça à baleia
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terça-feira, 20 de julho de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Uma proposta apresentada ontem durante a reunião anual da Comissão Internacional da Baleia em Sorrento, Itália, pode definir o fim da moratória à caça do animal, que já dura 18 anos.
No segundo dia de conversas entre nações caçadoras e conservacionistas, os 57 países-membros da CIB examinaram um plano que, se adotado, significará o retorno da caça comercial de pelo menos uma espécie de baleia, a minke, provocando arrepios nos grupos ambientalistas.
A proposta, conhecida como RMS (esquema de manejo revisado, na sigla em inglês), é discutida há anos na comissão, sem consenso. Uma nova versão foi rascunhada pelo presidente da CIB, o dinamarquês Henrik Fischer, e sugere uma série de medidas para que os caçadores não excedam suas cotas, como observadores a bordo de barcos baleeiros e amostras de DNA dos animais mortos.
O Japão, principal nação caçadora, exortou delegados de vários países a adotar o plano de Fischer como base para as negociações.
''A finalização do RMS é a principal missão da CIB'', disse o delegado japonês Minoru Morimoto. ''Se não houver acordo, a razão de ser da comissão está ameaçada.'' Acusado mais uma vez de comprar votos de países africanos e caribenhos pelo retorno da caça, o Japão pediu à comissão licença para caçar mais de 3.000 baleias minke (a espécie mais abundante). O país já tem autorização para abater dezenas de animais por ano, sob o pretexto de pesquisa.
Algumas organizações ambientalistas dão como certa a aprovação do esquema de manejo, provavelmente não nesta semana, mas em 2005, durante a próxima reunião da CIB, na Coréia do Sul.
Países como o Brasil e a Holanda afirmam que a proposta de Fischer não é forte o suficiente para impedir abusos, mas que claramente é um ponto de partida.
Outros, como o Reino Unido e a Nova Zelândia, simplesmente a rejeitaram. ''A proposta tem falhas estruturais e nós nos opomos a sua forma atual'', disse o delegado neozelandês Geoffrey Palmer.


