Comissão formada por deputados recebe críticas
Curitiba - Uma comissão especial formada por deputados estaduais é alvo de críticas por parte de uma das lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Paraná, José Damasceno, porque estaria apenas ''defendendo os interesses dos fazendeiros''. Durante as visitas que a comissão fez, nos dias 15 e 16 de junho, a quatro áreas atualmente ocupadas por integrantes do MST na região Oeste do Estado, os parlamentares foram impedidos de entrar em duas áreas. Damasceno negou que teria sido passada qualquer orientação no sentido de impedir a entrada dos parlamentares.
O presidente da comissão, deputado Elio Rusch (PFL), disse que precisa conversar tanto com proprietários de terras ocupadas quanto com integrantes do MST, mas informou que a comissão pretende descobrir ''porque o governo federal não está fazendo nada''. ''Tem pessoas que não suportam mais. Não podemos nos omitir. Precisamos saber porque o governo federal não está cumprindo as reintegrações de posse e distribuindo cesta básica para os invasores. Por que o governo federal não toma atitudes mais enérgicas?'', acusa.
As visitas foram nas fazendas Kelli e 4R, no município de Cascavel, fazenda Boito, em Matelândia (70 km ao Norte de Foz do Iguaçu), e na fazenda da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste (24 km ao Sul de Cascavel). Os parlamentares não conseguiram entrar em 4R e em Santa Tereza do Oeste, onde a ocupação começou em março, em protesto contra o plantio de milho e soja transgênicos mantido pela multinacional numa área próxima a uma unidade de proteção integral. Na época, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná chegou a multar a multinacional em função do plantio em área irregular.
O deputado acrescentou que as quatro áreas escolhidas pela comissão para as visitas ''são todas produtivas'' e que num primeiro momento a idéia é reunir informações, documentos e um histórico de cada ''invasão''.
O superintendente do Incra no Estado, Celso Lisboa de Lacerda, disse que já possui as informações que a comissão pretende colher e que acredita que o trabalho dos parlamentares é ''politiqueiro''. ''Por que a comissão não pede para o Incra ou para a Secretaria de Segurança Pública as informações? Nós já fazemos os levantamentos'', criticou.
Rusch afirma que, se o Incra já possui dados sobre as ocupações, ele não entende porque ''ninguém está fazendo nada''. O parlamentar revela que não sabe ainda para quem deverá entregar o relatório produzido a partir das informações colhidas pela comissão. E afirma se tratar de uma questão ''complexa, delicada e até perigosa''.(C.S.)





