Comissão exige indenização para família de sindicalista assassinado no Pará
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 11 (AE) - O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Nilmário Miranda (PT/MG), ameaçou hoje promover uma campanha internacional contra o governo brasileiro caso não seja paga indenização para a família do sindicalista João Canuto de Oliveira, assassinado em 1985. O pagamento foi determinado pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Este é um dos casos de impunidade no Pará denunciados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
"Até agora, ninguém foi preso, nem condenado", reclama a filha do sindicalista e coordenadora do Comitê Rio Maria, Luzia Canuto. Pela luta para punir os culpados da morte do pai e de outras vítimas entre os sem-terra ela recebeu, ano passado, do governo francês, o prêmio do cinquentenário da Declaração dos Direitos Humanos.
Luzia Canuto diz que a indenização, ainda sem valor especificado mas a ser calculada com base na expectativa de vida do sindicalista, morto aos 51 anos, não repararia o dano. "Daria uma vida mais digna para minha família", observa Luzia que perdeu também dois irmãos em conflitos de terra.
Denúncias - O caso da família Canuto foi um dos muitos assassinatos no sul do Pará denunciados hoje à Comissão de Direitos Humanos por continuarem impunes. O advogado da CPT no Pará, frei Henri Burin des Roziers, entregou cópia da carta que enviou ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, pedindo providências para os relatos de morosidade da Justiça e do Ministério Público e, em alguns casos, até má vontade em punir os criminosos.
O relatório denuncia arbitrariedades cometidas por policiais civis e militares. Os crimes são bárbaros, como a degola de um trabalhador que cobrava R$ 50,00 pelos serviços prestados na Fazenda Dois Corações, na Colônia Canaã. Os criminosos confessaram o crime, passaram 15 dias na cadeia e foram soltos.
Na colônia Picadão, em Xinguara, Adalberto da Silva, conhecido como Beto, foi acusado de esquartejar uma criança de quatro anos e espalhar pedaços do corpo por 150 metros. Ele também foi denunciado pela morte de outras três crianças e uma mulher. Um delegado de Belém, especialmente mandado à cidade para apurar o crime, pediu a prisão preventiva do acusado e indiciou outras pessoas da cidade. Segundo Roziers, o juiz da comarca de Xinguara, Elder Lisboa Ferreira da Costa, negou a prisão preventiva de Adalberto e determinou a abertura de inquérito contra o delegado por abuso de autoridade.


