Comissão Européia cobra responsabilidade do Brasil
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sexta-feira, 02 de outubro de 2009
Samy Adghirni<br> Enviado especial 
Bruxelas, Bélgica - O presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso, cobrou ontem do governo brasileiro que assuma mais responsabilidades diplomáticas, comerciais e ambientais se quiser ter um maior reconhecimento de sua atuação internacional.
Feitas às vésperas da terceira cúpula União Europeia-Brasil, na próxima terça, em Estocolmo, as declarações de Durão Barroso refletem o estado das divergências bilaterais em relação a temas que o governo brasileiro considera parte de sua atuação estratégica e soberana.
Ser maior também (significa ter) maior responsabilidade, não é só mais poder e influência. Com a influência vem a responsabilidade, disse o chefe do braço executivo da UE, numa referência à ambição declarada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transformar o Brasil num protagonista global.
Ao receber na manhã de ontem em seu gabinete, em Bruxelas, um grupo de jornalistas brasileiros, Durão Barroso pediu que o Brasil ajude a pressionar o Irã a ser mais transparente em relação ao seu programa nuclear, suspeito de ter fins militares -o que Teerã nega. Espero que o presidente Lula utilize não só a força e a influência do Brasil, mas também sua própria autoridade política -pois hoje em dia é um líder global muito respeitado- para avançarmos no objetivo da não proliferação nuclear, afirmou.
Durão Barroso também cobrou mais empenho do governo brasileiro para destravar as negociações da Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio e do acordo de livre comércio Mercosul-UE.
Segundo os europeus, as conversas estão emperradas por causa da dificuldade de acesso aos mercados industriais dos países em desenvolvimento. Já o Brasil atribui o impasse às barreiras comerciais e tarifárias impostas pelos países ricos. A Europa é o mercado mais aberto do mundo e o maior para as exportações agrícolas dos países em desenvolvimento. Às vezes há uma ideia de que a Europa é protecionista. Francamente isso não corresponde à verdade, disse Durão Barroso.
Em relação a questões ambientais, Durão Barroso disse querer que o Brasil se alie aos europeus em torno de um compromisso concreto sobre redução de gases poluentes, tema central de uma cúpula em dezembro em Copenhague.
Na contramão das cobranças, o presidente da Comissão Europeia também defendeu as gestões do governo Lula em Honduras, dizendo que apoia todos os esforços brasileiros para resolver o problema e destacando que também teria dado apoio ao presidente deposto Manuel Zelaya se ele tivesse pedido abrigo numa embaixada europeia.


