Comissão Européia cobra ação social de governos da AL
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Mônica Ciarelli (especial para o AE) 
Rio, 25 (AE) - O vice-presidente da Comissão Européia, Manuel Marin, afirmou que qualquer acordo de integração comercial deve ter como preocupação básica a questão social. Marin criticou duramente a forma como a América Latina tratou esse tema nos últimos anos, o que provocou um aumento das desigualdades sociais. Ele lembrou que os governos latinoamericanos conseguiram avançar muito nas questões políticas e econômicas, mas ainda têm uma dívida social grande a ser resgatada.
"Os progressos não foram acompanhados de melhorias na área social", ressaltou Marin durante o encerramento do Encontro de Representantes da Sociedade Civil da Europa, América Latina e Caribe.
Segundo ele, os ganhos obtidos com a queda da inflação, o ajuste fiscal e abertura comercial não conseguiram reduzir as desigualdades na distribuição de renda na região. "A América Latina soube se ajustar macroeconômicamente, mas não foi capaz de dar à sociedade uma resposta em matéria de desenvolvimento social".
O vice-presidente ressaltou que 33% da população na AL e Caribe vivem em condições de extrema pobreza. O número corresponde a cerca de 75 milhões de pessoais. "Os governos são conscientes da necessidade de priorizar o lado social, o discurso do presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, já aponta nesse sentido", explicou.
Marin admitiu que a Europa ainda não conseguiu sucesso em alguns temas sociais como o desemprego e a previdência social. Tanto que o programa de desenvolvimento da Europa para os próximos cinco anos tem como prioridade dois temas que envolvem o lado social: educação e saúde.
A preocupação com a questão social também foi discussão no Encontro de Representantes da Sociedade Civil da Europa, América Latina e Caribe.
Documento - Esse foi o ponto principal de um documento que será entregue amanhã (26) aos embaixadores de cada país participante da Cimeira. Ele pedem que os governos estejam atentos ao impacto social que medidas de integração comercial possam causar às economias, principalmente de países emergentes.
No documento, os cerca de 120 empresários e sindicalistas participantes do encontro pedem uma presença mais constante da sociedade civil nas discussões sobre a criação de uma área de livre-comércio entre o Mercosul e a Europa.
Entre as recomendações estão também o aumento dos investimentos diretos europeus nas economias da América Latina e do Caribe e uma menor participação dos capitais voláteis na região.
O presidente do Grupo de Empregadores do Comitê Econômico e Social da União Européia, Manuel Cavaleiro Brandão, ressalta que as últimas crises financeiras mostraram que os capitais especulativos são prejudiciais. Segundo ele, os investimentos da Europa precisam visar o desenvolvimento econômico e a geração de empregos no Mercosul.


