Comissão especial vai investigar patrimônio de nazistas no País
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Agência Folha 
Agência EstadoCaráter pioneiroJobim assiste ao cumprimento recebido pelo presidente Fernando Henrique do rabino Sobel: propósito superiorBRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou ontem, em cerimônia no Palácio do Planalto, decreto que cria a Comissão Especial de Apuração de Patrimônios Nazistas. A comissão vai investigar a entrada no Brasil de valores trazidos por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e em período imediatamente posterior ao conflito. O governo brasileiro, em cooperação com o Congresso Judaico Mundial (representante da comunidade judaica em 64 países), pretende distribuir o eventual valor apurado entre os sobreviventes da guerra e seus descendentes.
Em seu discurso, Fernando Henrique disse que o ato é uma demonstração de repúdio à violência bárbara que foi a nazista. (...) Não é um ato que vai satisfazer a comunidade universal dos judeus ou aqueles que vivem no Brasil. É um ato para a cidadania toda do Brasil, afirmou o presidente. De acordo com o rabino Henry Sobel, presente à cerimônia representando a comunidade judaica, há pistas de que cerca de 1.200 a 1.500 nazistas vieram para o País.
RegistrosSegundo Sobel, o ministro Pedro Malan (da Fazenda), que também esteve presente à solenidade, junto com Nelson Jobim (que deixou ontem o Ministério da Justiça) irá determinar que os registros do Banco do Brasil de entrada de capitais sejam transferidos ao Banco Central. O rabino disse que na época o Banco do Brasil era o responsável por essas informações. Com a transferência dos arquivos, a comissão terá acesso desburocratizado aos dados.
Temos três objetivos principais com o trabalho da comissão. A curto prazo, será determinar quantos nazistas vieram para o Brasil e quanto dinheiro trouxeram, afirmou Sobel. Sobel afirmou em seu discurso que o decreto tem caráter pioneiro e deve servir de exemplo a outros países.
O decreto (...) tem um propósito superior. Não se trata de ouro, dinheiro ou valores materiais. Trata-se (...) da investigação da origem criminosa de recursos, exercício ético a que os governos, em geral, não estão habituados, disse.


