Brasília, 29 (AE) - A Câmara dos Deputados vai instalar uma comissão especial para analisar a proposta de banir o uso do amianto no País, a exemplo de países como a França e Alemanha. Hoje, em audiência pública promovida pelas comissões de Economia e a da Indústria e do Comércio, a polêmica em torno do assunto dividiu opiniões. Os trabalhadores da única mina brasileira em atividade - que extrai, em Goiás, o amianto crisotila (branco) - dizem ser possível usar o amianto com segurança, mas parlamentares defendem a substituição gradual do produto, considerado um risco para o desenvolvimento de doenças pulmonares e câncer.
"Se mantivermos o uso do amianto, estaremos indo contra uma tendência geral, porque o próprio consumidor não quer mais produtos feitos com base nesta fibra", afirmou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), autor de uma das duas propostas de projetos de lei que tramitam na Câmara pedindo a proibição da extração, uso e comercialização das variedades de amianto. Gabeira diz que será preciso uma política de redirecionamento dos trabalhadores da mina. O deputado Emerson Kapaz (PPS-SP) também é favorável à substituição do produto. "Esta indecisão é ruim, até porque as indústrias não podem planejar a substituição adequada", argumentou.
Defesa - "O amianto crisotila pode ser usado com segurança", sustentou o presidente do Sindicato dos Mineiros, Adilson Santana. Segundo ele, um acordo fiscalizado por comissões compostas por trabalhadores, tem garantido a extração segura. "Todos sabemos que o amianto é nocivo, mas somente se não houver controle", afirmou o sindicalista, explicando que ações preventivas incluem da proteção individual e coletiva ao acompanhamento médico.
A Associação Brasileira do Amianto Crisotila (Abra) diz que os níveis de concentração de poeira nos ambientes de trabalho na extração e processamento diminuíram significativamente, reduzindo, assim, a propabilidade de desenvolvimento de doenças. Produtor - O Brasil é o terceiro maior produtor de amianto crisotila, extraído pela S.A Mineração de Amianto (Sama), em Mina de Cana Brava, no município de Minaçu (GO). São produzidas anualmente 220 mil toneladas, 35% exportadas para países, como Japão e Índia. O amianto é um fibra mineral utilizada em vários produtos, como telhas e caixas dágua e ainda na indústria automotiva, para a fabricação de pastilhas de freio, por exemplo. O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco (SP), Carlos Clemente, lembrou que desde 1985 os produtos automotivos exportados não contêm amianto.
Os especialistas também têm opiniões divergentes. O pesquisador em biopersistência de fibras, o suÍço David Berstein
garantiu aos parlamentares que o tipo de amianto explorado na mina de Goiás não teria consequências prejudiciais à saúde. Já o Chefe do Departamento de Biologia Celular e Ciências Ambientais da Universidade do Texas (EUA), Arthur Frank, sustentou que os "trabalhadores não devem escolher entre o emprego e o dano futuro" e pediu que o amianto seja banido. "Todas as formas de amianto penetram na pleura e podem prejudicar o pulmão", afirmou.

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