São Paulo, 13 (AE) - Os articuladores políticos da Prefeitura não conseguiram modificar a posição do vereador governista Natalício Bezerra (PTB) e o prefeito Celso Pitta (PTN) sofreu hoje a primeira grande derrota na guerra contra a abertura do processo de impeachment. Por 4 votos a 3, a Comissão Especial da Câmara considerou procedente a denúncia apresentada pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e recomendou a abertura de uma comissão processante (CP) para investigar as denúncias. A palavra final sobre a criação da CP, porém, caberá ao plenário.
O relator da comissão especial e líder afastado do Governo na Câmara, Brasil Vita (PPB), recomendou o arquivamento da denúncia por falta de provas. O relatório oficial recebeu voto favorável do presidente da comissão, Wadih Mutran (PPB), e do vereador Ivo Morganti (PMDB).
Além de Bezerra, rejeitaram o parecer de Vita os vereadores Arselino Tatto (PT), Gílson Barreto (PSDB) e Carmino Pepe (PL). Eles aprovaram o voto em separado (parecer alternativo) preparado pela oposição, que julga a denúncia procedente e autoriza a abertura da CP.
Na terça-feira (18), o relatório deve ser votado em plenário. Um dos requisitos para que isso ocorra é a publicação do texto da decisão da comissão especial no "Diário Oficial" do Município, prevista para amanhã (14). A abertura da CP depende de, no mínimo, 33 votos. Teoricamente, o processo de impeachment será iniciado, porque 34 parlamentares declararam hoje à reportagem que são favoráveis à criação da comissão.
Na reunião de hoje, as atenções mais uma vez estiveram voltadas para Bezerra, cujo voto foi decisivo para a vitória da oposição. Logo no início da reunião, às 9 horas, Bezerra pediu para conversar com Mutran. Segundo Mutran, o petebista pediu para ir embora logo no início da reunião, pois já tinha registrado seu voto ao assinar o relatório preparado pela oposição. "Eu disse que ele não podia, pois o voto deveria ser verbal", disse Mutran. A conversa entre os dois atrasou o início da reunião, que só começou pouco antes das 10 horas.
Na hora do voto, Bezerra lembrou a pressão recebida nos últimos dias, mas negou que tenha sofrido algum tipo de influência. "Não estou votando com a situação ou a oposição, e sim com a minha consciência", disse, antes de registrar o voto que liquidaria a estratégia do Palácio das Indústrias de encerrar o processo de impeachment ainda na comissão especial. Ele deixou o Salão Tiradentes em seguida e não foi mais localizado no Palácio Anchieta.
A vitória foi comemorada pela oposição. "É uma vitória da população de São Paulo", afirmou Barreto. Ele disse que chegou a temer a derrota. "Fiquei com medo de o Natalício ceder às pressões e acabar votando com o governo."
O tucano revelou que grande parte da noite de ontem (12) foi consumida em telefonemas dos oposicionistas para Bezerra. "Procuramos marcar presença."
Outro que ficou com medo de o petebista recuar foi Pepe. "Ele sofreu muita pressão dos governistas durante todo esse tempo."
Para o vereador do PL, Bezerra procurou seguir a vontade de sua base de apoio eleitoral, os taxistas. "Todos os taxistas querem o impeachment do prefeito."

mockup