Comissão encerra buscas de ossadas
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sábado, 04 de agosto de 2001
Alexandre Palmar<BR>Enviado a Nova Aurora 
As buscas pelos restos mortais de um grupo de desaparecidos políticos durante a ditadura militar foi encerrada ontem em Nova Aurora (61 km ao norte de Cascavel) depois da constatação que o local tido como suposta cova não apresenta vestígios de ossadas humanas. A decisão foi tomada após os dois antropólogos argentinos, responsáveis pelo trabalho, analisarem a terra da quinta e última cova aberta na região, apontada por um militar como destino de seis remanescentes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e um argentino desaparecidos em 1974.
O fim da expedição foi anunciado perto do meio-dia pelo deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), representante da Câmara de Deputados na Comissão Especial de Desaparecidos Políticos. Segundo o parlamentar, as análises feitas pelos especialistas evidenciaram que os sinais de alteração no subsolo captados numa investigação preliminar com um radar realizado em maio revelou que as anomalias eram diferenças de consistência do terreno. A terra do local escavado era menos compacta. São descontinuidade e diferenças nos terrenos, explicou o petista.
Para o deputado federal, a escavação cumpriu um dever da Comissão Especial. Toda vez que tiver algum indício nós vamos investigar, frisou. Ele lembrou que, dos 150 desaparecidos políticos durante a ditadura (1964-1985), somente três foram encontrados pela dificuldade em encontrar informações concretas sobre os militantes. O deputado explicou que a Lei 9.140/95, embora seja um avanço no reparo dos abusos do Estado, é falha quando não remete ao governo brasileiro a obrigação de abrir os arquivos secretos das Forças Armadas. O atual governo não tem o mínimo interesse de esclarecer a verdade.
As suspeitas levantadas pela Comissão Especial foram embasadas num depoimento prestado por um militar, residente em Curitiba, ao ex-guerrilheiro Aluízio Ferreira Palmar. O informante, que pediu anonimato, disse que os perseguidos da repressão foram capturados em 1974 em Santo Antonio do Sudoeste (97 km a oeste de Francisco Beltrão, fronteira com a Argentina), torturados, mortos e enterrados perto de uma pista de pouso na fazenda de um deputado pela Aliança Renovadora Nacional (Arena) e que, na época, era utilizada pelas Forças Armadas. As pistas indicavam ainda a localização da suposta cova a 14 metros de distância da PR-239, mas o mapa não foi confirmado.
Miranda disse ser necessário criar um projeto especial para investigar o caso do grupo Onofre Pinto, inclusive com um financiamento maior por parte do Ministério da Justiça, órgão sede da Comissão Especial. Segundo o parlamentar, o governo brasileiro liberou R$ 14 mil no mesmo dia do começo da busca (quinta-feira) para pagar o trabalho dos antropólogos de Buenos Aires, a diária dos operários, além de despesas alimentícias, transporte, hospedagem e aluguel de equipamentos. O trabalho não acabou. as informações levantadas têm coerência. Vamos aprofundar a investigação, finalizou.


