As buscas pelos restos mortais de um grupo de desaparecidos políticos durante a ditadura militar foi encerrada ontem em Nova Aurora (61 km ao norte de Cascavel) depois da constatação que o local tido como suposta cova não apresenta vestígios de ossadas humanas. A decisão foi tomada após os dois antropólogos argentinos, responsáveis pelo trabalho, analisarem a terra da quinta e última cova aberta na região, apontada por um militar como destino de seis remanescentes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e um argentino desaparecidos em 1974.
O fim da expedição foi anunciado perto do meio-dia pelo deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), representante da Câmara de Deputados na Comissão Especial de Desaparecidos Políticos. Segundo o parlamentar, as análises feitas pelos especialistas evidenciaram que os sinais de alteração no subsolo – captados numa investigação preliminar com um radar realizado em maio – revelou que as anomalias eram diferenças de consistência do terreno. ‘‘A terra do local escavado era menos compacta. São descontinuidade e diferenças nos terrenos’’, explicou o petista.
Para o deputado federal, a escavação cumpriu um dever da Comissão Especial. ‘‘Toda vez que tiver algum indício nós vamos investigar’’, frisou. Ele lembrou que, dos 150 desaparecidos políticos durante a ditadura (1964-1985), somente três foram encontrados pela dificuldade em encontrar informações concretas sobre os militantes. O deputado explicou que a Lei 9.140/95, embora seja um avanço no reparo dos abusos do Estado, é falha quando não remete ao governo brasileiro a obrigação de abrir os arquivos secretos das Forças Armadas. ‘‘O atual governo não tem o mínimo interesse de esclarecer a verdade’’.
As suspeitas levantadas pela Comissão Especial foram embasadas num depoimento prestado por um militar, residente em Curitiba, ao ex-guerrilheiro Aluízio Ferreira Palmar. O informante, que pediu anonimato, disse que os perseguidos da repressão foram capturados em 1974 em Santo Antonio do Sudoeste (97 km a oeste de Francisco Beltrão, fronteira com a Argentina), torturados, mortos e enterrados perto de uma pista de pouso na fazenda de um deputado pela Aliança Renovadora Nacional (Arena) e que, na época, era utilizada pelas Forças Armadas. As pistas indicavam ainda a localização da suposta cova a 14 metros de distância da PR-239, mas o mapa não foi confirmado.
Miranda disse ser necessário criar um projeto especial para investigar o caso do grupo Onofre Pinto, inclusive com um financiamento maior por parte do Ministério da Justiça, órgão sede da Comissão Especial. Segundo o parlamentar, o governo brasileiro liberou R$ 14 mil – no mesmo dia do começo da busca (quinta-feira) – para pagar o trabalho dos antropólogos de Buenos Aires, a diária dos operários, além de despesas alimentícias, transporte, hospedagem e aluguel de equipamentos. ‘‘O trabalho não acabou. as informações levantadas têm coerência. Vamos aprofundar a investigação’’, finalizou.

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