Comissão do PT anula 512 fichas de filiação
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segunda-feira, 19 de julho de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio de Janeiro, 19 (AE) - A comissão nacional do PT, responsável por uma auditoria nas 13.520 mil filiações ao partido decidiu, em reunião realizada hoje, anular 512 fichas de filiações com indícios de fraude. Os três integrantes da comissão, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e os secretários de Organização, Joaquim Soriano, e Sindical, Delúbio Soares, determinaram ainda que o processo de organização das convenções no Rio sejam conduzidos pela executiva nacional do PT.
Nas fichas, foram identificadas várias irregularidades, entre as quais formulários com pedidos de emprego, algumas com rasuras
utlizando corretor gráfico, e outras com a mesma assinatura. Os três membros da direção nacional também aprovaram ainda a realização de uma nova auditoria nas 13.508 filiações restantes.
A decisão causou um novo racha no PT, porque três correntes internas, entre as quais o grupo Refazendo e Opção Popular, discordaram do resultado. Os integrantes das alas retiraram-se da reunião, que ocorreu no diretório regional, centro da cidade, em protesto contra a condução do processo pela comissão nacional de auditoria. Eles defendiam a anulação de mais cerca de 2000 filiações, além das 512 impugnadas.
"Não aceitamos essa decisão e entregamos a organização das convenções à executiva nacional, porque não queremos nos responsabilizar pelo que pode vir depois", disse o secretário de comunicação social do PT regional, Antônio Neiva, que integra a ala Refazendo. Segundo ele, essas cerca de 2000 filiações pertenciam a 28 núcleos fantasmas anulados.
Há cerca de um mês, em um outro escândalo no partido, foi deflagrado um processo que culminou na anulação de 113 núcleos fantasmas pelo PT do Rio. Os outros 28, que ficaram sub judice, foram anulados hoje pela comissão nacional. Na época, o partido decidiu ainda expulsar Roberto Marcos dos Santos, conhecido por Gaguinho, e apontado como responsável por fraudar a criação dos núcleos petistas.
O PT carioca começou, há dez dias, a investigação nas 13,5 mil filiações feitas a partir de outubro de 1998 para detectar fraudes no processo protagonizado por tendências que disputarão as convenções de 1999 para indicar o candidato à prefeitura do Rio em 2000. O trabalho preliminar foi realizado por uma comissão municipal de auditoria, que entregou hoje o relatório pelos integrantes do diretório nacional.
Segundo Joaquim Soriano, a comissão vai apresentar um parecer à executiva nacional em reunião a ser realizada no dia 2 de agosto.
Ele disse que a executiva, que terá a atribuição de conduzir a organização do processo eleitoral interno no partido, vai fazer o "possível e o impossível" para que as convenções sejam realizadas até o dia 5 de setembro, prazo regimental.


