Comissão do impeachment faz amanhã primeira reunião
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 05 (AE) - A comissão especial instalada formalmente ontem (04) na Câmara, para analisar o pedido de processo de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN), reúne-se amanhã (06) pela primeira vez. A tática dos governistas é concluir o relatório contrário às denúncias até quarta-feira. Os vereadores não admitem abertamente, mas não pretendem convidar ninguém para depor na comissão.
"Pessoalmente, creio que a denúncia formalizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) é perfeita e acho que não precisarei ouvir ninguém para entender seu conteúdo", afirmou hoje o presidente da Comissão Especial, Wadih Mutran. Ele disse, entretanto, que não pode falar pelos demais membros.
As principais bancadas de oposição na Câmara Municipal ficaram visivelmente abaladas com a publicação da lista dos vereadores que supostamente receberiam "mesada" do governo municipal e desde terça-feira não demonstraram o mesmo empenho da semana passada nas críticas ao governo municipal e na tentativa de aprovar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias feitas pela primeira-dama Nicéa Pitta. Na sessão de hoje, os vereadores apenas tentaram votar a preferência da CPI dos Frangos, mas não conseguiram por falta de quórum e a sessão foi encerrada rapidamente.
Depois da sessão, a oposição realizou uma reunião para avaliar a conjuntura atual e definir uma nova forma de atuação. "Não há abatimento algum, o problema é que dependemos da pressão popular", afirmou o líder do PT na Câmara, o vereador José Eduardo Martins Cardozo.
Nem os carros de som de sindicados e entidades organizadas estão mais sendo usados para manifestações em frente ao Legislativo de São Paulo. "Não estamos apáticos e nem abatidos, tanto é que ficamos nos dedicando ao grande ato que o PSDB organizou para amanhã pró-CPI e pró-impeachment", disse o vereador Dalton Silvano (PSDB).
A vereadora Aldaíza Sposati (PT) negou o abatimento da oposição. Segundo ela, a oposição está tentando identificar de onde é que o ataque partiu e o que ele representa politicamente. "Pode ser que estejam tentando sacrificar vereadores da situação que não mais interessam, lançar dúvidas sobre a oposição e tentar criar uma nova alternativa de centro-direita nas eleições deste ano", disse Aldaíza. Essa discussão foi o tema da reunião das oposições de hoje à tarde.
O vereador Natalício Bezerra (PTB), que para muitos na Câmara decidirá a votação da Comissão Especial do impeachment, hoje à tarde admitiu que poderá votar contra a proposta de abertura do processo de afastamento de Pitta.
"Hoje estou a favor, daqui a três dias poderei mudar", afirmou Bezerra. Ontem (04), o vereador petebista garantiu que votaria a favor da admissão da denúncia contra Pitta. Mas votou a favor de que os líderes do prefeito assumissem os principais cargos da comissão, a presidência e a relatoria.


