Buenos Aires, 05 (AE) - A Comissão Nacional de Comércio Exterior (CNCE) determinou que a indústria argentina de frangos sem vísceras sofreu "danos significativos" por causa da importação dessas aves provenientes do Brasil.
O parecer da Comissão poderia reativar a "Guerra dos Frangos", que junto com a crise envolvendo os calçados do Brasil e da Argentina, causou uma tensão comercial sem precedentes entre os dois países na segunda metade do ano passado.
Até o fim deste mês, a Secretaria de Indústria e Comércio terá de definir qual medida antidumping tomará contra o Brasil, a não ser que antes disso, na reunião de negociadores do Mercosul do próximo dia 12 que será realizada em Brasília, possa ser encontrada uma solução alternativa.
Caso contrário, a medida antidumping contra os frangos brasileiros seria a primeira atitude de confronto por parte da Argentina contra o Brasil desde a posse, em dezembro, do governo do presidente Fernando De la Rúa.
Em 1998, produtores de frangos dos dois países chegaram a um acordo de cotas, interrompido pelos argentinos em abril de 1999.
Os produtores locais alegavam que o acordo não poderia ser mantido por causa da desvalorização do real, que tornava o frango brasileiro mais competitivo do que já era no mercado argentino.
Segundo dados da Subsecretaria de Comércio Exterior, o frango brasileiro sem vísceras deveria entrar na Argentina a US$ 1.044 a tonelada, mas acabaria entrando em média por US$ 780 a tonelada.
No momento, a entrada de frango brasileiro está determinada pelas cotas estabelecidas pelo juiz federal Juan Papetti, da cidade de Concepción. Em novembro do ano passado, ele implementou cotas de 3.742 toneladas mensais para as aves provenientes do Brasil, por considerar que estava ocorrendo uma "invasão" de galináceos do principal sócio do Mercosul.
Rumores em Buenos Aires sustentam que em vez da aplicação de cotas para a entrada dos frangos, a medida antidumping a ser decidida pela Subsecretaria de Comércio Exterior da Secretaria de Indústria e Comércio consistiria na implantação de um preço mínimo para a entrada das aves provenientes do Brasil, que poderia ser estabelecido em US$ 1.044 a tonelada.