Comissão deve entregar relatório preliminar a Garotinho na sexta-feira
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 31 (AE) - O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, José Muinõs Piñeiro Filho, disse hoje que a comissão que apura a corrupção na polícia do Rio de Janeiro deve entregar ao governador um relatório preliminar sobre as acusações contra o chefe de Polícia, delegado Rafik Louzada, no dia 7. Funcionando há duas semanas, segundo o procurador, a comissão ainda não encontrou nada que incrimine o delegado. "Até agora as provas são até em contrário", disse Muiños.
As denúncias foram feitas pelo ex-coordenador Luiz Eduardo Soares, exonerado pelo governador Anthony Garotinho (PDT).O procurador-geral participou, hoje pela manhã, da inauguração da Delegacia Especial da Polícia Federal (DEAIN), no Terminal de Passageiros 2, no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim/Galeão.
O delegado e os detetives José Carlos Guimarães e Fernando César Barbosa são acusados de ter comprado três franquias da rede de lanchonete McDonalds, no valor de R$ 500 mil. Guimarães e Louzada teriam exigido R$ 200 mil para liberar o traficante Lobão, da Favela da Rocinha, detido no Espírito Santo.
"As informações oficiais que nós temos não confirmam a denúncia de que eles tenham adquirido as franquias, mas vamos levantar se isso ocorreu em outra rede de lanchonetes, como o Bobs ou a Habibs", afirmou. O procurador disse ainda que a comissão não conseguiu levantar a denúncia sobre a extorsão ao traficante Lobão. "Há muitos Lobão no Rio, mas até agora sabemos que um Lobão praticou crime no Espírito Santo", disse.
Sigilo - Muiños lembrou que a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de todos os policiais envolvidos nas denúncias de Luiz Eduardo Soares ainda não foi efetuada. Segundo ele, somente em relação ao chefe de Polícia, vão ser quebrados o sigilo de 20 parentes.
Delegacia - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, que havia sido convidado para a solenidade de inauguração da Delegacia Especial da Polícia Federal (DEAIN), não compareceu. Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Agílio Monteiro Filho, a delegacia faz parte de um plano da PF de aumentar a fiscalização nas chamadas "áreas sensíveis" do País ao tráfico e contrabando de armas. Para implementar esse plano, o presidente Fernando Henrique Cardoso já autorizou a contratação de mil novos agentes.
Antes do Galeão, a Polícia Federal já havia inaugurado uma delegacia no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Guarulhos, São Paulo. A PF vai triplicar o número de policiais - são 100 - que trabalham no aeroporto do Rio, além de lhe oferecer estrutura suficiente para fazer diligências de repressão e prevenção, antes feitas pelo efetivo das delegacias especializadas.


