Menores índias, com idades entre 12 e 16 anos, da tribo caingangue, no Rio Grande do Sul, ‘‘estão sendo prostituídas por chefes indígenas e comerciantes inescrupulosos’’, denunciaram ontem parlamentares da Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional, em Brasília.
‘‘As meninas vendem seu corpo por 3 ou 4 reais’’, denunciou o deputado federal Marcos Rolim, do Partido dos Trabalhadores (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos.
Rolim precisou que o Ministério Público e a Polícia Federal já estão realizando investigações sobre o caso, que foi confirmado pela comissão parlamentar durante uma investigação na cidade de Tenente Portela (15.000 habitantes), perto da reserva de Guarita do Norte, onde vivem 4 mil caingangues, a mais de 300 km de Porto Alegre.
A comissão está preparando um minucioso relatório sobre a prostituição infantil entre os caingangue, para a Fundação Nacional do Índio (Funai), disse o parlamentar, que estima em cerca de 200 o número de adolescentes índias atraídas para a prostituição em todo o Rio Grande do Sul.
A socióloga e assessora da Funai local, Azelene Krig Inacio, uma índia caingangue, declarou que após as denúncias dos deputados, cerca de 12 jovens índias foram presas. ‘‘O autoritarismo e a miséria são tão grandes que as meninas não vêem outra saída’’, disse Krig Inacio, que lembra que ‘‘a degradação da tribo começou nos anos 70, com a chegada de madeireiros na região’’.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), revelou que a exploração sexual de jovens índias também ocorre em tribos de outros Estados, como os Nambiquara de Mato Grosso (centro-oeste) e os Pacaá Novos, de Rondônia (Amazônia).

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