Brasília, 19 (AE) - A Comissão de Trabalho da Câmara rejeitou hoje, por 14 votos a 12, o projeto de lei do deputado Paulo Paim (PT-RS) que previa o aumento do salário mínimo para 180 reais. A vitória da bancada governista foi apertada e conquistada graças a uma manobra de última hora dos políticos aliados, que retiraram do plenário dois deputados titulares da comissão - Wilson Braga (PFL-PB) e Ricardo Noronha (PMDB-DF) - que votariam a favor do projeto.
Eles foram substituídos por dois deputados suplentes - João Ribeiro (PFL-TO) e Pinheiro Landim (PMDB-CE) -, que votaram contra a proposta.
Com a vitória do governo na comissão, fica facilitada a derrubada do projeto em plenário. Na próxima semana, outro relator, o deputado Herculano Anguinetti (PPB-MG), deve apresentar novo relatório à Comissão de Trabalho e o projeto será novamente submetido à votação. A votação em plenário deverá acontecer em junho.
A bancada governista manteve-se mobilizada para evitar surpresas na comissão. Além da retirada dos parlamentares dissidentes, os líderes da base do governo na Câmara não compareceram à discussão do salário mínimo, mandando apenas representantes. Os deputados Pauderney Avelino (PFL-AM) e Pedro Henry (PSDB-MT) falaram pela liderança das bancadas e defenderam uma discussão mais ampla para definir um justo valor para o salário mínimo. O vice-líder do governo na Câmara, Darcisio Perondi (PMDB-RS), frisou que o relatório do deputado Pedro Eugênio (PSB-PE) não examinou a questão da Previdência.
Perondi lembrou que o déficit do Regime Geral da Previdência, estimado para este ano, é de R$ 10 bilhões. Segundo ele, com o reajuste para 180 reais nas aposentadorias, esse valor iria a R$ 16 bilhões e, se estendido esse salário mínimo a todos os benefícios da Previdência, o déficit pularia para R$ 23 bilhões. O deputado ainda acrescentou que "o aumento do déficit implica no aumento das necessidades de financiamento da dívida pública que, por sua vez, tem como consequência a menor queda nas taxas de juros, diminuição da atividade econômica e menos emprego".
O líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), disse que o Congresso precisa ter "coragem política para inverter a lógica de que o desenvolvimento tem de ser feito às custas do povo".
Segundo ele, "é hora de o Congresso dar uma demonstração de generosidade social". Os partidos de oposição mantiveram-se mobilizados ao longo de todo o dia em defesa do mínimo de 180 reais. No corredor das comissões, foram instaladas pequenas placas comparando os valores do salário mínimo do Brasill e dos países do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul).
Suspensas por hastes de pouco mais de 1 metro de altura, as plaquinhas traduziam em reais os salários pagos na Argentina (376 reais), Uruguai (338 reais) e Paraguai (263 reais). As placas ainda continham a inscrição "Roubo oficializado pelo Fernando Henrique. Vergonha nacional" e estavam assinadas por Paim e pelos deputados Alceu Colares (PDT-RS) e Vivaldo Barbosa (PDT-RJ).

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