Brasília, 24 (AE) - O vice-presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados, Francisco Graziano (PSDB-SP), disse hoje que levará na próxima semana os integrantes da comissão para uma audiência com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, e com o chefe da Casa Militar
general Alberto Cardoso, para saber se o governo federal está tomando providências para impedir a "escalada da violência no campo".
Reunidos hoje pela manhã na Câmara, eles discutiram a possibilidade de ser criada uma comissão de fiscalização e controle para avançar nas investigações. Segundo Graziano, essa é uma alternativa para que sejam iniciados os trabalhos de investigação o mais rápido possível.
Em discurso feito ontem (23), na abertura dos trabalhos da comissão, Graziano revelou o conteúdo de uma carta anônima que denuncia que trabalhadores rurais estão se armando no interior de Minas Gerais, por causa de uma disputa interna entre o MST e o Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem-Terra (MSTL). Em razão disso, os parlamentares começaram a articular a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito mista para investigar as ações do MST.
Segundo ele, a carta informa que o MSTL estaria com armas longas, rifles e fuzis AK-47 e AR-15, além de pistolas e revólveres. O documento destaca ainda que o MSTL está sendo financiado por organizações de esquerda da França e da Bélgica e o MST também estaria recebendo dinheiro do exterior. Graziano propôs que seja feita uma campanha de desarmamento no campo, seguindo o exemplo do que vem sendo defendido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Eu não sei se através de uma CPI, ou através de uma ação da nossa comissão de Agricultura e Política Rural, se a gente não deveria discutir a questão do armamento no campo".
"Afinal, em razão da situação, perdem os que lutam pela reforma agrária e a violência aumenta". "Não adianta apenas parar de vender arma, é preciso desarmar realmente a população". Para o parlamentar, as disputas agrárias provocam uma "anti-reforma agrária". "Essas guerras no Sul do Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Triângulo põem por terra a luta pela reforma agrária", afirmou hoje.

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