São José dos Campos, SP, 05 (AE) - A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara decidiu hoje, por unanimidade, convocar para depor o ex-diretor do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e representante da União no Conselho Administrativo da Embraer, brigadeiro Aluízio Weber. O militar estará na Câmara na próxima terça-feira. Os deputados querem novos detalhes da venda de 20% das ações da ex-estatal ao consórcio francês - formado pelas empresas Dassault, Matra, Snecma, Thomson, e Aeroespatiale - e qual o grau de interferência do governo nesta transação. "O clima na comissão é de extrema preocupação e vamos averiguar profundamente essa questão", alertou o autor do requerimento, Haroldo Lima (PC do B-BA).
Os parlamentares do grupo de defesa nacional ainda ouvirão o depoimento do presidente da companhia, Maurício Novis Botelho, no próximo dia 13. Segundo Lima, todos os integrantes da comissão encontram-se dispostos a reaver detalhes da negociação depois que tomaram conhecimento dos motivos do afastamento do brigadeiro Weber de seus cargos. Também devem ser convocados para depor o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, e o comandante da Aeronáutica, Carlos Baptista.
Um dos aspectos destacados pelos integrantes da comissão foi o afastamento do governo, num curto prazo de tempo, de todos que se opuseram à transação. Além de ter criado um clima de revolta dentro da Aeronáutica, o caso provocou a demissão do ex-ministro da Defesa Élcio álvares, do comandante da Armada, Walter Brauer, e do diretor do CTA, Aluízio Weber. O brigadeiro Weber contou em sua mensagem de transmissão de cargo, no dia 22, ter sido orientado pelo atual comandante da Aeronáutica e pelo atual ministro da Defesa a dar parecer favorável à negociação.
O militar, que se opunha ao negócio, acabou por pedir afastamento do conselho da Embraer e foi para a reserva. Ele revela em seu discurso detalhes sobre as ordens recebidas de seus superiores para confirmar a venda das ações. "Tais fatos estavam me conflitando internamente havia dez dias, desde quando eu recebera a orientação superior para não contrariar o parecer da Advocacia- Geral da União", disse o militar.
Os depoimentos dos militares, da direção da Embraer e do ministro nas comissões de Ciência e Tecnologia e de Defesa Nacional ainda não têm datas definidas.

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