Londrina - No dia 17 de maio de 1970, o então estudante Antônio dos Três Reis de Oliveira, de Apucarana (Norte), foi assassinado em São Paulo por fazer oposição à ditadura militar. Exatos 32 anos depois, no dia 16 de maio deste ano, a presidente Dilma Rousseff instaurou a Comissão da Verdade, que vai apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, o que inclui os ''anos de chumbo'' do regime militar no Brasil.

Após mais de três décadas, a família do estudante Três Reis - como muitas outras vítimas da época - enxerga na comissão a possibilidade de, finalmente, ver reescrita a história das pessoas que foram presas, torturadas e até assassinadas por assumirem uma posição política contrária ao regime vigente no período.

Sem nunca ter encontrado o corpo do irmão, o jornalista Baltazar Eustáquio de Oliveira alimenta, inclusive, a esperança de ter informações sobre os restos mortais do ativista para realizar a cerimônia de funeral. Oliveira conta que, depois de muito tentar e insistir, a família obteve o atestado de óbito de Três Reis, cuja causa de morte foi definida como ''traumatismo craniano''. ''Disseram que foi em um confronto, mas sabemos que houve uma delação e meu irmão foi metralhado no sótão da casa onde estava escondido, sem qualquer chance de se defender'', lamenta. Os restos mortais, porém, nunca foram entregues.

A comissão terá dois anos para ouvir depoimentos, requisitar e analisar documentos que ajudem a esclarecer as violações de direitos. De acordo com o texto sancionado, a comissão tem o objetivo de esclarecer fatos e não terá caráter punitivo.

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