Macapá,5 (AE) - Dos três depoimentos tomados ontem em Macapá pela CPI do Narcotráfico, dois foram considerados "imprestáveis" pelo sub-relator Antônio Biscaia (PT-RJ): o do ex-policial Nivaldo Ramos, que cumpre pena por ter assassinado em maio de 97 o médico Valdson Rocha; e o do presidente da OAB-AP, advogado Wagner Gomes.
Biscaia disse que o depoimento do presidente da OAB era esperado com grande expectativa pela comissão, uma vez que Wagner Gomes havia prometido entregar um dossiê sobre o crime organizado no Amapá. "Ele não entregou nada e nem disse nada de concreto", afirmou Biscaia. A primeira pessoa a depor na CPI do Narcotráfico em Macapá foi Miriam Loren Flexa, a principal testemunha do assassinato do médico Valdson Rocha e sua namorada Aldenize Costa no dia 11 de maio de 1997.
No julgamento, Miriam denunciou seu ex-namorado Nivaldo Ramos que, na época, era policial. Na ocasião, ela falou também que o assassinato do médico era uma das consequências da briga pelo controle do tráfico e citou como narcotraficantes políticos e empresários, entre os quais o ex-deputado Milton Rodrigues e o empresário Silvio Assis. Na CPI, além de repetir estas acusações
ela acusou também policiais civis.
De acordo com Miriam, os próprios policiais que a conduziram para prestar depoimento na PF lhe ofereceram de R$ 20 mil a R$ 25 mil reais para que ela não incriminasse Silvio Assis
empresário para o qual, segundo ela, trabalhava Nivaldo Ramos. Segundo ela, o mandante do assassinato do médico e sua namorada foi o ex-deputado Milton Rodrigues.
Nivaldo Ramos disse à CPI que nunca sequer falou com o empresário Silvio Assis e que só conheceu Mirian Loren após a morte do médico, isto porque, como policial ele foi destacado para investigar o crime e se aproximou de Mirian para descobrir, através dela, "setores" do tráfico. Na opinião do deputado Pompeu de Matos (PDT-RS) Nivaldo Ramos é o bandido que liderou todo o processo de assassinato do médico. "Ele estava disposto a falar, mas os advogados enlouquecidos correram atrás dele e ele acabou recebendo o que precisava para calar a boca", disse o parlamentar em entrevista coletiva. "Este foi o depoimento mais falso que já ouvi em toda a minha vida", afirmou.
Hoje pela manhã, a CPI vai ouvir o empresário Silvio Barbosa, o ex-deputado Milton Rodrigues e o deputado Randolph Rodrigues (PT), que em dezembro do ano passado encaminhou à deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA) um dossiê sobre o tráfico de drogas no Amapá. À tarde serão ouvidos o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Fran Junior (PMDB), e a presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheira Margarete Salomão. Fran Junior, em programa do PMDB exibido na sexta (31) no horário eleitoral gratuito na televisão, disse que existem vários deputados envolvidos com o narcotráfico, além da presidente do TCE.

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