Comissão começa a ouvir ex-funcionários sobre caso de sangue contaminado
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 24 (AE) - A ex-presidente da Fundação Hemocentro de Pernambuco (Hemope), Cristina Carrazone, reafirmou hoje que a comunicação sobre a contaminação de plasma com o vírus HIV e hepatite A e C à Vigilância Sanitária cabia ao responsável pelo setor de produção de Hemoderivados, a diretora Cândida Cairutas. Cristina foi a primeira a depor à comissão de inquérito administrativo da Secretaria estadual de Saúde que começou a apurar hoje o motivo de o órgão não ter informado sobre os lotes de sangue contaminados em 1997 e 1998. Eles seriam usados na fabricação de albumina.
Cristina garantiu que o Hemope adota um procedimento rigoroso em relação ao sangue e que o plasma supostamente contaminado foi destruído, não existindo o risco de contaminação anunciado pelo ministro da Saúde, José Serra. O Hemope utiliza plasma fornecido por 23 hemocentros brasileiros.
O lote suspeito de contaminação com o HIV era da Bahia e do interior de Pernambuco. Os supostamente contaminados com o vírus da hepatite A e C vinham de Alagoas, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Depois da denúncia do caso pelo Conselho Federal de Medicina, o Ministério da Saúde determinou a interdição temporária da produção do produto.
O ex-vice-presidente do Hemope, Luiz Cláudio Arraes, também será ouvido hoje pela comissão. Amanhã (25) será a vez da ex-diretora de Captação e Processamento de Sangue, Cláudia Vaz, e da diretora de produção de Hemoderivados, Cândida Caituras. Instalada no dia 14, a comissão tem 60 dias para concluir o trabalho.


