Dida Sampaio/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ColaboraçãoJosé Gregori (d) conversa com o rabino Henry Sobel, porta-voz da comissão que vai apurar o patrimônio nazista no PaísA comissão especial criada para apurar o patrimônio nazista no Brasil iniciou ontem seus trabalhos. A prioridade é fazer um levantamento de quantos nazistas entraram no Brasil e quantos portavam fortunas nas décadas de 40 e 50. A estimativa do Congresso Judaico Mundial é de que tenham passado pelo Brasil de 1.200 e 1.500 nazistas.
A informação obtida pela comissão de que 14 contas bancárias desativadas no Banco do Brasil teriam entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, valores supostamente tomados de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, será discutida apenas em reunião na última quinta-feira de agosto.
Uma dessas contas pertenceu ao alemão Albert Will Louis Blume, ex-oficial da Gestapo (a polícia política nazista), morto em dezembro de 1983. Segundo a revista ‘‘Manchete’’ desta semana, há cerca de R$ 2,5 milhões depositados em nome de Blume num cofre da agência Líbero Badaró, do Banco do Brasil, em São Paulo.
O governo brasileiro teve dois comportamentos com os nazistas à época da Segunda Guerra. ‘‘Num primeiro momento, até 1942, houve um namoro e até mesmo uma tentativa de casamento com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Depois, quando Getúlio Vargas foi pressionado a lutar contra o Eixo, passou a perseguir os chamados ‘súditos’ do Eixo no País’’, disse o secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori.
Por isso, o primeiro passo da comissão, formada por sete pessoas, foi determinar a busca de documentos históricos para embasar os próximos trabalhos. Além de judeus, serão rastreados bens tirados de ciganos, homossexuais e outras minorias. ‘‘O holocausto não foi apenas o maior crime contra a humanidade, mas também o maior roubo da civilização’’, disse o rabino Henry Sobel, nomeado porta-voz informal do grupo.

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