Campinas, SP, 20 (AE) - A Comissão Processante que apura supostas irregularidades cometidas pelo prefeito de Campinas, Chico Amaral (PPB), decidiu anular os atos de encerramento dos trabalhos, que estavam previstos para hoje, com a entrega do relatório final. A medida faz parte de uma estratégia para tentar garantir o prosseguimento do processo que poderá resultar no impeachement do chefe do Executivo. Na sexta-feira (17), Amaral obteve na Justiça uma liminar que proíbe o Legislativo de marcar a data da sessão extraordinária que votará a cassação.
Na liminar, o juiz da 2ª Vara Cível de Campinas, Carlos Henrique Miguel Trevisan, acata o argumento da defesa, que alega inexistência de provas periciais nos documentos relacionados pela acusação. Segundo o presidente da CP, vereador Sergio Benassi (PC do B), se a Comissão não adiasse os atos de encerramento correria o risco de ser anulada, por não cumprir o prazo determinado. "Agora precisamos de mais tempo para responder à Justiça", explicou.
Com a anulação dos atos de encerramento, o prefeito terá mais cinco dias para reforçar sua defesa. Depois disso, os três vereadores que trabalham no caso também terão mais cinco dias para apresentar o relatório. Com isso, a Comissão Processante ganha mais dez dias para contestar a defesa e tentar, na Justiça
a suspensão da liminar obtida por Amaral.
Para Benassi, os argumentos da defesa são improcedentes. "O prefeito está exigindo provas periciais em documentos que não estão relacionados pela acusação", disse o vereador. Segundo ele, os advogados de Amaral estão usando a Justiça para retardar ao máximo o processo de cassação. "Tudo isso visa apenas a gerar confusão para anular o trabalho da Comissão", disse.
As denúncias contra o prefeito foram apresentadas pelo Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais. Amaral é acusado de contratar, sem concurso público, dois mil professores para a rede municipal de ensino, e outros 700 empregados para a Empresa Municipal de Desenvolvimento (Endec).
O prefeito também é acusado de pagar remuneração acima do teto salarial da prefeitura ao ex-gerente da cidade, José Vasconcelos Cunha; aprovar contratos superfaturados na terceirização dos serviços de coleta de lixo e merenda escolar; e de não publicar, em tempo regular, as portarias para nomeação de cargos em comissão. Amaral nega as acusações e alega que não teve tempo para defender-se.

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