Curitiba- O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Rasca Rodrigues, determinou a abertura de uma Comissão de Sindicância para apurar eventuais irregularidades em licenciamentos ambientais para corte de madeira. A decisão foi tomada em função das denúncias levantadas a partir do relatório apresentado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) sobre a fiscalização dos licenciamentos concedidos para corte e retirada de madeira da Área de Preservação Ambiental da Serra da Boa Esperança, na região de Guarapuava.
Com a concordância do governador Roberto Requião, o IAP também decidiu suspender por prazo indeterminado a Câmara Técnica do órgão que avalia pedidos de autorização para cortes de madeira. Os fiscais que atuam nesse trabalho, e que autorizaram os cortes na área ficarão à disposição da sindicância para os esclarecimentos necessários. Os trabalhos devem ser concluídos dentro de 15 dias.
O documento final, segundo Rasca, contará com o aval de laudo da Embrapa e de técnicos de silvicultura da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ''Se a comissão apurar que houve irregularidade os responsáveis serão punidos'', garante Rasca. Entre os envolvidos, estão três engenheiros do IAP.
O relatório do Ibama refere-se à Operação Araucária 6, processo de fiscalização dos cortes de madeira em conjunto com IAP, Ibama e a Polícia Florestal. De acordo com o ex-superintendente do Ibama, Marino Gonçalves, que se afastou do órgão sexta-feira para concorrer à vaga na Câmara Federal, o relatório não apresenta denúncia formal de irregularidades. A fiscalização, segundo Gonçalves, apontou divergências na avaliação do IAP e Ibama sobre o estágio de crescimento das florestas afetadas e as autorizações concedidas.
A partir desse documento, entidades ambientalistas, entre elas o SOS Mata Atlântica e Rede de ONGs da Mata Atlântica, levantaram denúncias contra o IAP. ''O relato do Ibama constata grande número de autorizações do IAP para queimadas e corte de araucárias em pé. A descrição das áreas não confere com a legislação'', diz a ambientalista Teresa Urban.
A ambientalista explica que, por lei federal, só é permitido corte de madeira em florestas em estágio inicial de regeneração, fase em que ainda não existem árvores. Em florestas de médio e avançado estágio de regeneração é permitido o corte máximo de 15 metros cúbicos de madeira a cada cinco anos, para uso restrito da propriedade. Também é proibido corte de árvores em extinção, como é o caso da araucária, imbuia e canela.
Durante a operação Araucária 6, que cobriu 848.604 hectares do território paranaense, foram encontrados 67 tratores, sendo 54 de esteira, 34 caminhões com toras de madeira nativa ou lenha e 631 fornos de carvão. Nessas áreas, o IAP teria autorizado o corte de 29.654 metros cúbicos de lenha e 14.264 metros cúbicos de madeira de espécies nativas, inclusive araucária.

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