Comissão apura assassinatos no Pará
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quinta-feira, 02 de abril de 1998
Agência Estado 
Dida Sampaio/AE
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Direitos humanosOs sem-terra P.R.A. e M.Z.P. depõem na Comissão de Direitos Humanos da Câmara sobre o assassinato de integrantes do MST de ParauapebasOs líderes dos sem-terra em Parauapebas (PA), Onalício Araújo Barros, o Fusquinha, e Valentin Serra, o Doutor, foram mortos pelo pistoleiro conhecido como Donizete a mando do fazendeiro Carlos Antônio da Costa. A acusação foi feita ontem, em Brasília, por duas testemunhas do crime, M.Z.P.A. e P.R.A., em depoimento na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
As testemunhas dizem que podem reconhecer todos os envolvidos no crime, inclusive os policiais militares que estavam encapuzados, com fitas pretas sobre seus nomes no uniforme. Eles tiraram o capuz depois do crime. Tenho medo de morrer, desabafou M.Z, que tem o nome na lista de sem-terra marcados para morrer, divulgada em carta anônima, nesta semana. O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) disse que a lista coincide com os nomes divulgados pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, dos sem-terra já assentados que ainda participam de invasões.
Segundo o relato das testemunhas, pouco antes das 19 horas do dia 26, Fusquinha e Doutor foram cercados por fazendeiros, pistoleiros e policiais militares que acompanhavam a desocupação da Fazenda Goiás 2 - invadida por 550 famílias de sem-terra 12 dias antes. Eles estavam a seis quilômetros do acampamento desfeito. Esse aí é o Fusquinha, esse é o Doutor, teria apontado o fazendeiro Costa, para identificar os dois líderes, focados com as luzes dos faróis dos carros. Queima, teria ordenado Costa. Deu para ver até a faísca da arma, disse M.Z., que estava ao lado de Fusquinha, e chorou ontem, ao depor na comissão.
As testemunhas dizem que o pistoleiro Donizete disparou à queima-roupa no peito de Doutor e ele caiu no chão. Fusquinha suspendeu o braço para pedir paz e foi atingido na axila, rodou, levou outros três tiros no braço e tentou fugir. Não deixe escapar, gritou Costa. Fusquinha levou o quinto tiro nas costas e entrou no mato.
O corpo de Doutor foi carregado, os pistoleiros quebraram suas pernas, espinha e pescoço e o enterraram a 15 quilômetros do local da execução, disse P.R.A., a outra testemunha. Carlos Antônio da Costa era o dono fazenda. Ele conseguiu uma liminar de reintegração de posse com a juíza Maria Vitória Torres do Carmo. Na manhã do dia 26, dois oficiais de Justiça determinaram aos sem-terra que saíssem do local. As negociações estão sendo feitas em Marabá, não há motivo para desocupação imediata, tentou argumentar M.Z.. Os oficiais responderam que mais tarde retornariam com policiais e o pior aconteceria.
Às 12h30, segundo o relato dos sem-terra, um comboio com 15 veículos chegou ao acampamento. Os oficiais de Justiça vinham acompanhados pelo pistoleiro Donizete e os fazendeiros Lazinho, Antônio Barcelos, Luciano Sartório e o Carlos Antônio da Costa. Esperamos você em Marabá, disse Fusquinha ao ver Costa. Eu não aguento mais, vocês vão sair daqui, teria respondido o fazendeiro.


