São Paulo, 11 (AE) - A Comissão Especial de Impeachment da Câmara Municipal de São Paulo decidiu hoje, por 7 votos a 0, transformar em acusação o pedido de impeachment apresentado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra o prefeito Celso Pitta (sem partido).
A informação foi dada por volta das 19 horas pelo presidente da comissão, vereador Celso Cardoso (PPB), após uma reunião de cinco integrantes governistas - além de Cardoso, Toninho Paiva (PFL), José Amorim (PTB), Myryam Athiê (PPB) e Maria Helena (PL) - para discutir o relatório final da comissão. "Discutimos depois do depoimento do senador Roberto Requião e decidimos acatar a denúncia", afirmou Celso Cardoso.
A comissão tem reunião marcada para as 10 horas de amanhã e os vereadores devem entregar o relatório final ao presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido), até a tarde. O relatório tem de ser colocado em votação no plenário e aprovado por pelo menos 33 votos para que a acusação seja aceita e depois a comissão processante, instalada. O relatório final terá de ser aprovado por maioria absoluta, 37 votos.
Embora Cardoso tenha dito que a decisão foi por 7 votos a 0, dois integrantes da comissão não estavam na reunião: Ana Maria Quadros (PSDB) e José Mentor (PT). Ana Maria disse que não estava sabendo da decisão. "Eu acho ótimo", afirmou. Ela já se havia manifestado a favor da denúncia. Mentor é considerado voto certo.
Toninho Paiva saiu da reunião dos cinco governistas, no gabinete de Cardoso, dizendo que haviam decidido aceitar a denúncia "por unanimidade", mas que Celso Cardoso é quem daria detalhes da decisão. Em seguida, Cardoso fez o comunicado. Os outros vereadores não foram mais encontrados na Câmara para comentar a decisão. Ela causou estranheza entre alguns parlamentares, pela forma como foi tomada.
Pela manhã os governistas mantinham a posição contrária à abertura do processo de impeachment do prefeito. No plenário, à tarde, pelo menos dois parlamentares começaram a dar sinais de que poderiam mudar o voto. Maria Helena chegou a dizer que estava numa situação "muito delicada". Amorim, que nos últimos dias estava defendendo o governo, disse que não tinha opinião formada e iria discutir sua posição na reunião marcada para o fim da tarde.
Precatórios - A reunião ocorreu depois do depoimento do ex-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Precatórios, senador Roberto Requião (PMDB-PR). Ele afirmou no depoimento à comissão que Pitta foi o responsável pelo comando das decisões tomadas pela Secretaria Municipal das Finanças para a emissão de títulos públicos no mercado financeiro entre 1995 e 1996. "Acho que o prefeito Celso Pitta deve ser impichado", afirmou Requião. O prefeito só deve falar hoje sobre a decisão da comissão.

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