Brasília, 25 (AE) - Foi aprovado hoje, na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara, um requerimento do deputado Paulo Paim (PT-RS) para a realização de três audiências públicas com ministros de Estado e representantes de entidades de classe.
Com as audiências às quarta-feiras das próximas semanas, o bloco de oposição vai tentar ganhar espaço na campanha pelo aumento do salário mínimo e estimular, no Congresso, um debate que o governo tenta esvaziar. O movimento da oposição em favor de uma política salarial ganhou força depois das manifestações públicas de líderes do PMDB e PFL em defesa do reajuste do salário mínimo.
A posição desses aliados do governo colaborou para que o deputado Paim conseguisse reunir, até agora, mais de 150 deputados na Frente Parlamentar pela Dignidade do Salário Mínimo
lançada este mês.
Desse total, Paim garante que mais de 60 são da base de sustentação do governo. "O governo comprometeu-se a conversar sobre o salário mínimo a partir do dia 15 de abril, portanto, vamos dedicar todo o mês de abril à questão salarial e levar o debate para sua base parlamentar", afirmou Paim.
Para quarta-feira (31), estão previstas na Comissão do Trabalho audiências públicas com representantes da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Confederações Nacionais da Indústria (CNI), da Agricultura (CNA) e dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical.
No dia 7, os ministros do Planejamento, Paulo Paiva, e da Previdência Social, Waldeck Ornélas, estarão na comissão, explicando a posição do governo sobre o salário mínimo e aposentadorias. No dia 14, será a vez do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. O governo, por enquanto, insiste em não discutir a questão e só reconhece uma inflação em torno de 6%, de acordo com o índice do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Os empresários mostram-se mais abertos a discutir o aumento do salário mínimo, mas rechaçam qualquer idéia de indexação.
Os trabalhadores contam com um projeto de lei de Paim tramitando na Cãmara que reajusta o salário mínimo em 20 centavos a hora, a cada ano, o que poderia elevar o valor, em 2018, a 850 reais, atingindo o que Paim chama de "salário mínimo constitucional". O projeto de lei tramita na Câmara desde 1995 e, anualmente, é atropelado por medida provisória (MP) do governo fixando correção pelos índices oficiais.

mockup