Comissão aprova abertura de processo de impeachment contra Pitta
Marcus Lopes e Flávio Mello
São Paulo, 13 (AE)- Os articuladores políticos do governo municipal não conseguiram reverter a posição da bancada do vereador governista Natalício Bezerra (PTB) e o prefeito Celso Pitta (PTN) sofreu ontem a primeira grande derrota na guerra contra a abertura do processo de impeachment. Por quatro votos a três, a Comissão Especial da Câmara Municipal considerou procedente a denúncia apresentada pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e recomendou a abertura de uma comissão processante para investigar as denúncias e indicar se Pitta deve ou não ser cassado.
O relator da comissão e líder afastado do Governo na Câmara, vereador Brasil Vita (PPB), recomendou o arquivamento da denúncia por falta de provas. O relatório oficial recebeu voto favorável do presidente da comissão, Wadih Mutran (PPB), e do vereador Ivo Morganti (PMDB).
Esse parecer foi rejeitado por Bezerra, Arselino Tatto (PT), Gílson Barreto (PSDB) e Cármino Pepe (PL). Eles aprovaram o voto em separado preparado pelos vereadores de oposição, que julgou a denúncia procedente e autoriza a abertura de uma comissão processante contra o prefeito.
Na próxima terça-feira, o relatório deve ser votado em plenário. A abertura da Comissão Processante depende de, no mínimo, 33 votos favoráveis. Teoricamente, o processo deve ser aberto, pois 34 parlamentares declararam à reportagem que serão favoráveis à abertura de uma comissão processante.
Na reunião de hoje, as atenções mais uma vez estiveram voltadas para Bezerra, cujo voto foi decisivo para a vitória da oposição. Logo no início da reunião, às 9 horas, Bezerra pediu para conversar com Mutran. Segundo Mutran, o petebista pediu para ir embora logo no início do encontro, pois já tinha registrado seu voto ao assinar o relatório elaborado pela oposição. "Eu disse que não podia, pois o voto dele deveria ser verbal", disse Mutran. A conversa entre os dois atrasou o início da reunião, que só começou pouco antes das 10 horas.
Na hora do voto, Bezerra lembrou a pressão que estava sofrendo nos últimos dias, mas negou que tenha sofrido algum tipo de influência. "Não estou votando com a situação ou a oposição, e sim com a minha consciência", disse Bezerra, antes de registrar o voto que liquidaria o projeto do palácio das Indústrias de encerrar o processo de impeachment ainda na comissão especial. Em seguida, deixou o salão Tiradentes e não foi localizado mais no Palácio Anchieta, sede do legislativo paulistano.
A vitória foi comemorada pela oposição. "É uma vitória da população de São Paulo", afirmou Gilson Barreto. Ele disse que chegou a temer a derrota. "Fiquei com medo do Natalício ceder às pressões e acabar votando com o governo", disse Barreto. Ele lembrou que grande parte da noite de ontem foi consumida em telefonemas para Bezerra. "Procuramos marcar presença." Outro que ficou com medo de Bezerra recuar foi Carmino Pepe. "Ele sofreu muita pressão dos governistas durante todo esse tempo", justificou Pepe. Para ele, Pepe procurou seguir a vontade de sua base de apoio eleitoral, os taxistas. "Todos os taxistas querem o impeachment do prefeito", argumentou Pepe.
Pressão tardia - Um vereador do PPB e outro do PMDB, que pediram para não ser identificados, garantiram à reporgagem que Bezerra, Vita e Mutran teriam se reunido com Pitta no Palácio das Indústrias por volta das 8 horas da manhã. Essa teria sido a última tentativa do Executivo de alterar o voto do petebista e garantir a vitória na Comissão Especial de impeachment da Câmara. De acordo com os vereadores do PPB e do PMDB, o petebista teria sido procurado pelo secretário do Governo Municipal, Carlos Meinberg, por telefone também na noite de ontem (12). Bezerra, Mutran e Vita negaram taxativamente qualquer reunião ou conversa com o prefeito de São Paulo e articuladores políticos do Palácio das Indústrias."Isso não é verdade", assegurou Vita. Na manhã de hoje, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura também negou que vereadores estivessem reunidos com Pitta.





