Comissão aponta falhas múltiplas na P-36
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terça-feira, 17 de abril de 2001
Agência do Estado Do Rio 
O relatório sobre as explosões que provocaram o afundamento da plataforma P-36, da Petrobras, em março, vai apontar um conjunto de fatores, não apenas uma causa para o acidente. A comissão que apura as circunstâncias do desastre, que deixou 11 mortos na Bacia de Campos (RJ), está chegando à conclusão de que houve falhas múltiplas, informou um dos técnicos envolvidos no processo. Estes erros iriam desde o confinamento de um tanque de gás em uma das colunas de sustentação da plataforma até a demora na troca de equipamentos que apresentavam defeito.
Ontem a Petrobras emitiu nota informando que, por causa da complexidade dos trabalhos de investigação a plataforma afundou e está a 1.360 metros de profundidade, impossibilitando perícia detalhada no local do acidente a comissão de sindicância solicitou prorrogação do período para conclusão do relatório. O documento deveria ficar pronto na sexta-feira, mas dentro deste prazo será entregue à direção da Petrobras apenas um relatório de progresso das investigações, com a indicação das evidências que, até aquela data, apontem para os cenários e causas mais prováveis do acidente.
A comissão, formada por representantes da Petrobras, da Coordenadoria de Pós-Graduação em Programas de Engenharia (Coppe) da UFRJ, da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes na Bacia de Campos e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, conta com o assessoramento da empresa de certificação norueguesa Det Norske Veritas (DNV).
Os técnicos já chegaram à conclusão de que diversos procedimentos contribuíram para as explosões. Agora a dificuldade está na avaliação quantitativa, ou seja, na determinação de quais fatores tiveram maior ou menor peso. Para isto estão sendo feitos cálculos matemáticos e utilizado um programa especial de computador. O relatório preliminar listará todos os aspectos que tiveram alguma influência no acidente.
A adaptação da plataforma, que inicialmente se destinava a trabalhos de perfuração e teve o projeto modificado para ser uma unidade de produção de petróleo, está descartada como um destes fatores. O fato de a torre de flare (que tem na extremidade um queimador para o gás não utilizado) estar localizada no centro do equipamento (comum nas plataformas de perfuração) e não de forma inclinada na lateral, como ocorre com as de produção, também não teve qualquer efeito danoso, segundo as apurações.


