São José dos Campos, SP, 11 (AE) - A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados adiou o depoimento do ex-diretor do Centro Técnico da Aeronáutica (CTA), brigadeiro Aluízio Weber, a pedido do Comando da Força. O militar iria depôr na tarde de hoje, quando explicaria o afastamento do Conselho Administrativo da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), em fevereiro, e as pressões que sofreu do Ministério da Defesa e do alto comando da Aeronáutica para caucionar a venda de 20% das ações da ex-estatal ao consórcio francês formado pela Aeroespatiale, Dassault, Matra-Thonsom e Snecma.
O CTA e a Embraer ficam em São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP). Segundo do deputado Haroldo Lima (PC do B-BA), autor do requerimento pedindo a audiência com o militar, uma nova data sairá ainda nesta semana. O depoimento de Weber, que era representante da União no conselho da Embraer, é visto como primordial para o entendimento de possíveis ingerências do governo federal na negociação e se isto afetará a soberania nacional. Um ofício do Comando da Aeronáutica foi remetido à secretaria da Câmara dos Deputados, informando que o militar, que está na reserva, não poderia comparecer à comissão no dia marcado.
Lima disse que o Comando da Aeronáutica não explicou os motivos por ter adiado o depoimento. A audiência pública era aguardada com grande expectativa pelos parlamentares. Nos próximos dias, os membros da Comissão de Defesa Nacional aguardam os pronunciamentos do presidente da Embraer, Maurício Botelho, do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista, e do ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão.
O militar, na mensagem de transmissão do cargo no CTA, revelou ter sido orientado por Quintão e Baptista a assinar a transferência das ações e fazer uma procuração para que fosse feita nos Estados Unidos a venda de outra parte do controle acionário da ex-estatal. No de uma reunião do conselho, ele recebeu a proposta do comandante da Aeronáutica de ser promovido e ir para a reserva.
O brigadeiro era contrário à transferência de parte do controle da Embraer ao grupo francês e alertou o presidente Fernando Henrique Cardoso para os riscos que isto representaria, pedindo ao governo a proibição do negócio. A União, que era representada por Weber no Conselho Administrativo da empresa, tem uma participação acionária que lhe confere o direito de intervenção em aspectos que possam comprometer os interesses nacionais dentro da Embraer.

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