A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou recentemente dados que influenciam diretamente a vida de bilhões de pessoas: o aumento generalizado nos preços das commodities agrícolas (produtos em estado bruto, comercializados em larga escala no mercado internacional), com consequente alta dos preços dos alimentos. Segundo a FAO, os valores devem continuar elevados e voláteis em 2012, representando uma ''ameaça'' para países pobres, que terão de gastar até um terço mais com as importações neste ano.
Para entender a preocupação dos técnicos da entidade, basta uma rápida análise nos números divulgados: no último mês de maio, o índice de preço dos alimentos tocou 232 pontos, abaixo da leitura revisada de 235 pontos em abril, mas ainda 37% superior ao patamar observado no mesmo período de 2010. O declínio do indicador, no mês passado, reflete uma ligeira desvalorização dos cereais e do açúcar, que compensou a alta das carnes e dos produtos lácteos.
A FAO revelou que os próximos meses serão ''críticos'', com perspectivas animadoras para as safras da Rússia e da Ucrânia, mas potencial de redução da produtividade do milho e do trigo na Europa e na América do Norte por causa do clima desfavorável. ''A situação geral para as safras agrícolas e as commodities alimentícias é de aperto, com os preços globais em níveis persistentemente elevados, representando uma ameaça para muitos países de baixa renda com deficit de alimentos'', afirmou David Hallam, diretor da divisão de mercados da organização.
Segundo a entidade, o custo das importações mundiais de alimentos deve alcançar um recorde de US$ 1,29 trilhão neste ano, 21% mais ante 2010. Países de baixa renda e com deficit de alimentos e nações menos desenvolvidas devem desembolsar 27% e 30% mais, respectivamente, com as importações de produtos alimentícios, de acordo com a FAO.

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