Comgás vai a leilão amanhã na Bolsa de São Paulo
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 13 (AE) - O governo paulista realiza amanhã, às 9 horas, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o leilão da Companhia de Gás de São Paulo, a Comgás. O preço mínimo para a venda de 62,68% das ações da empresa foi fixado em R$ 896.451.270,00, dos quais 10% serão oferecidos aos funcionários da empresa. Com isso, o valor mínimo fixado para a operação é de R$ 753,69 milhões. Quatro grupos internacionais apresentaram hoje as garantias para participar do pregão.
Os consórcios que participarão do leilão são PEP (Plena Energia Participações Ltda), representando a Enron, dos Estados Unidos; Gás Brasiliano Distribuidora Ltda - Agip, da Itália; Gas Natural Internacional (espanhola), YPF (argentina) e Jacuípe Participações Empreendimentos S.A, representando a Iberdrola, também da Espanha, e a Integral Holdings S.A., representando a Shell e a British Gas. O único grupo nacional que participaria do leilão perdeu o prazo. A Bovespa não recebeu as garantias porque foram apresentadas após as 19 horas. Tinha passado o horário da inscrição e o seu pedido foi negado.
É grande a expectativa em relação ao valor a ser alcançado pela empresa, que teve a sua área de atuação limitada a São Paulo, Santos, Vale do Paraíba e região de Campinas, onde a companhia já atua.
Novas concessões - Duas novas áreas de concessão foram criadas para a distribuição de gás natural e deverão ser leiloadas ainda este ano pelo governo de São Paulo. Com isso, o Estado será dividido em três regiões para fins de distribuição de gás natural. Além da região metropolitana ampliada de São Paulo, foram definidas as áreas Oeste, com sede em Araçatuba, e Sul, com sede em Sorocaba.
A totalidade do capital a ser arrecadado amanhã será destinada a abater a dívida da Cesp (em torno de R$ 9 bilhões). O resultado da venda das demais áreas será dirigido ao Tesouro do Estado e, consequentemente, à execução dos projetos do governador Mario Covas. Não foram definidas até o momento as datas do leilões das novas concessões, nem seus preços mínimos.
ágio - Qualquer eventual expansão que os novos donos da Comgás quiserem fazer, terá de ser dentro dos limites da atuação
apenas elevando a densidade de atendimento. Essa é a razão que leva os empresários a esperar pequeno ágio para a venda da companhia hoje. O grande chamariz da empresa, segundo informam, são as vendas à indústria (94%), que lentamente vão abandonando a região metropolitana de São Paulo.
O argumento do governador Mario Covas para a divisão do Estado na distribuição de gás foi de que pretendia evitar a formação de um cartel no setor e criar competição. Os empresários consumidores em potencial de gás natural não aprovaram a medida, especialmente os industriais instalados fora da área de atuação da Comgás. Para eles, as redes de distribuição de gás levarão mais tempo até chegar às suas fábricas e isso poderá cercear os investimentos nessas regiões. Também, para eles, a divisão da área de concessão deve contribuir para esfriar o interesse dos grupos empresariais pela compra da Comgás.
Analistas de mercado discordam, no entanto, desse prognóstico. Para eles, a área 1 da companhia de distribuição de gás oferece grandes oportunidades de negócios, uma vez que abrange as regiões mais desenvolvidas do Estado. Eles esperam por um leilão extremamente disputado, o que poderá fazer com que o ágio supere em 100% o preço mínimo.


