Comgás tem planos para ser a maior da América Latina
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 26 (AE) - A centenária distribuidora de gás de São Paulo vai permanecer sendo Comgás, mas apenas no nome. Nos próximos anos, a companhia privatizada em meados de abril vai receber recursos e aporte tecnológico suficientes para transformá-la na maior distribuidora de gás da América Latina.
As metas são triplicar seu tamanho nos próximos três anos e multiplicá-la por dez até 2009, com volume de vendas de 30 milhões de metros cúbicos de gás/dia. E os investimentos iniciais giram em torno de US$ 300 milhões.
A British Gas International, dona de 72,74% das ações ordinárias (com direito a voto), e a Shell, com 23,22%, assumiram de fato a empresa na semana passada, sem definir um programa de demissões que reduziria o quadro atual de 2 mil funcionários - o que é bastante comum nas empresas recém-privatizadas.
"Ainda não sabemos quais os setores com excesso de pessoal, estamos nos reorganizando", disse Oscar Alfredo Prieto
presidente da companhia.
Na Argentina, onde a BG controla a Metrogás, distribuidora responsável pelo abastecimento de 60% do gás de Buenos Aires, existem inúmeras prestadoras de serviços que possibilitaram a terceirização. No Brasil o grupo ainda não sabe se haveria pessoal qualificado suficiente fora da empresa que permitisse atingir as metas de expansão.
Prieto disse que a preocupação com a qualidade faz parte da estratégia de crescimento da empresa e a Comgás, segundo ele, foi bem administrada e tem boa imagem perante o público. Essa constatação fez com que desistissem de mudar o nome e o logotipo
pois "já se haviam transformado em patrimônio da empresa".
Os planos de crescimento da Comgás superam as metas definidas no contrato de concessão e não vão limitar-se às áreas industrial e de fornecimento de energia para termoelérticas. Isso é importante pois faz parte dos planos de São Paulo de substituir gradativamente a matriz energética da eletricidade para o gás. Nesse segmento, haverá ampliação de rede de distribuição, de imediato, na Baixada Santista, em Campinas e no Vale do Paraíba.
Outro segmento importante de expansão é a área residencial na região metropolitana. A empresa vai expandir-se para o sul até Santo Amaro, para o norte, até Santana, e oeste, na Lapa. Além de cidades da Grande São Paulo como Diadema. Vários desses investimentos estavam paralisados por falta de recursos.
Para aumentar o número de clientes, atualmente em 300 mil, em mais 70 mil nos próximos cinco anos e até 200 mil em dez
a Comgás vai investir pesado em marketing. "O potencial de crescimento é enorme, mas somente vamos atingi-lo se convencermos os consumidores de que o uso do gás é vantajoso em relação a outras fontes (diesel e eletricidade)."
O executivo disse que a fatura média de gás no Brasil varia de R$ 20 a R$ 25. O consumo é baixo e, como não há "elasticidade" para aumentar as tarifas, a alternativa é desenvolver o mercado, competindo com outras fontes de energia.
A empresa estuda criar linhas de crédito para compra dos equipamentos de conversão já que os custos desestimulam as indústrias a usar o gás. A distribuidora pode tornar-se provedor único do serviço, do aparelho à instalação.


