Dezenas de milhares de chineses foram contaminadas pelo vírus HIV após venderem seu sangue. Foi o que admitiu ontem o vice-ministro da Saúde da China Yin Dakui. Segundo ele, em ''investigações preliminares'', entre 30 mil e 50 mil pessoas foram contaminadas. Mas Yin Dakui reconheceu que, de acordo com certos especialistas chineses, o número de contaminados pode chegar a 100 mil.

A declaração foi feita depois que vários jornais locais e a imprensa estrangeira se referiram aos métodos perigosos de doação e venda de sangue em certas regiões rurais chinesas, onde muitos camponeses já são soropositivos. Em um povoado de Henán (Centro), onde foram realizados exames, 65% dos camponeses eram soropositivos ou já enfermos de Aids.

Os camponeses da província de Henán e possivelmente de outras províncias vendem repetidamente seu sangue a ''bancos de sangue'' ilegais criados na década de 90. O método empregado consiste em misturar o sangue recolhido num recipiente único, extrair o plasma e revendê-lo aos hospitais, reinjetando o resto nos doadores, de modo a assegurar a manutenção de energia.

Segundo especialistas independentes, entre 500 mil e um milhão de pessoas podem ter sido infectadas pelo HIV na província de Henán.

O vice-ministro Yin declarou que o problema afeta somente algumas províncias centrais da China, mas uma autoridade do Ministério da Saúde, Sun Xinhua, opinou que pessoas de outras províncias provavelmente também venderam seu sangue de maneira ilegal. Xinhua disse que no mês passado foi descoberta uma vasta rede de tráfico clandestino de coleta de sangue.

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