Comércio: ICC registra 100,4% em outubro
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quinta-feira, 14 de outubro de 1999
por Regina Silva 
São Paulo, 15 (AE) - O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de outubro situou-se em 100,4. Se comparado ao mês anterior a variação foi de -3,4%. O resultado revela que praticamente metade dos consumidores ainda está confiante uma vez que o índice varia de um mínimo de zero (pessimismo pleno) a um máximo de 200 (otimismo pleno). Os dados são da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) e divulgados em parceria com a Agência Estado.
De março a julho de 1999 o índice registrou recuperação progressiva, enquanto no período de agosto a outubro o ICC apresentou queda. Entre os fatores que contribuíram para o resultado negativo da taxa estão a desvalorização cambial, segundo avalia o economista da FCSP, Fábio Pina. Outro agravante foi "o fracasso da política do governo, além de também não ter havido reajuste salarial. Consequentemente, a expectativa do consumidor diminuiu", sintetiza.
A análise do ICC nos seus dois componentes (expectativas do consumidor e condições econômicas atuais) mostra queda tanto nas expectativas quanto nas condições atuais. Segundo a pesquisa
o índice de -3,4% registrado em outubro em comparação a igual período de 1998, é preocupante. De acordo com a avaliação, o consumidor continua desconfortável com a situação econômica atual e não começa a sentir tanta segurança na capacidade de uma melhora futura. Da mesma maneira, a segmentação das taxas de confiança, expectativas do consumidor e condições econômicas atuais por renda, sexo e idade, em outubro, teve índices negativos em praticamente todos os itens. O ICC para os consumidores com mais renda (+ de 10 salários mínimos) registrou queda de 4,6% , enquanto a população com menos renda (- de 10 salários mínimos) apresentou -2,8% neste mês. O resultado revela uma piora das expectativas dos consumidores e das condições atuais nas duas faixas. Na segmentação por sexo, a pesquisa da FCESP mostra que houve queda no índice de confiança e no de expectativa para ambos os sexos. No índice de condições atuais há uma melhora para as mulheres (105,2%). Já no item por faixa etária a análise registrou resultados negativos tanto para as pessoas com mais idade (+ de 34 anos) como para aquelas com menos idade (- de 34 anos).
O economista da FCESP acredita que o fato de as expectativas do segmento feminino terem registrado saldos positivos seja consequência de o sexo feminino ocupar menos o mercado de trabalho em comparação ao masculino. "Até há uns 10 anos elas (mulheres) não eram tão evidentes no mercado de trabalho", acrescenta Pina. Outra contribuição é o fator psicológico que afeta mais os homens que as mulheres. "O desemprego está aí e quando o sexo masculino percebe que está perdendo espaço para o feminino a facilidade dele se desestabilizar emocionalmente é bem maior", comenta.


