Assis Chateaubriand - Quando os ponteiros do relógio marcaram 15 horas, centenas de comerciantes baixaram as portas ontem em Assis Chateaubriand (Oeste). A ação ordenada cobrava o aumento do efetivo policial e a redução dos índices de violência na cidade.
O protesto foi organizado pela Associação Comercial e Industrial de Assis Chateaubriand (Aciac), entidade fundada em 1972 e que conta com 452 associados. No início do mês, um comerciante foi vítima de uma tentativa de latrocínio. O empresário Edson Marques, de 41 anos, foi atingido por um tiro na cabeça enquanto tentava fazer o depósito de um malote de dinheiro. Ele já passou por cirurgia e desde então está internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Bom Jesus, em Toledo.
O autor do crime já foi identificado pela polícia, mas segue foragido. Esta foi a quarta vez que o empresário foi roubado nos últimos anos. "Ele está em coma induzido até hoje. Outra vez amarraram meu marido e levaram dinheiro, carro, roupas e até os sapatos", lamentou a mulher dele, Claudia Oliveira. "Quero que a justiça seja feita. A gente está sendo prisioneiro de um sistema em que bandidos estão soltos e a gente presa dentro de casa", criticou.
"O protesto é uma soma do que vem acontecendo nos últimos anos. Estatisticamente a violência não vem sendo alta, mas chegou num limite", apontou o presidente da Aciac, Edson de Oliveira Pereira.
Além de roubos a estabelecimentos comerciais, a população também reclama do alto índice de roubos e furtos de veículos. O alvo dos últimos tempos são as picapes, cujo destino dado pelos criminosos é o Paraguai. Assis Chateaubriand está a 120 quilômetros de distância de Guaíra.
"Nossa grande reivindicação é mais efetivo, para que a polícia volte a fazer rondas pró-ativas na cidade. Um exemplo disso: a delegacia não tem mais carcereiro e os investigadores estão cuidando de presos. Outro fato que chama a atenção é que o nosso delegado cuida de seis municípios da região", criticou Pereira.
A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) rebate a acusação argumentando que houve redução da maioria dos índices de violência. Este ano ainda não foram registrados homicídios, ante nove no mesmo período de 2012.
"Não entendi o ato organizado pela sociedade de Assis Chateaubriand. Contamos com um bom índice de solução de crimes, reduzimos a população carcerária. A polícia tem feito o que é possível para transmitir a sensação de segurança e ratificar sua atuação como polícia judiciária", argumentou o chefe da Divisão de Interior da Polícia Civil, delegado Júlio Reis.
A Sesp deve convocar em breve novos investigadores aprovados em concurso público e concluir o processo aberto para delegados. Outro processo seletivo prevê a contratação de 5,2 mil policiais militares.

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