Rio, 22 (AE) - O comércio exterior brasileiro teve uma redução generalizada em 1998, segundo análise do Boletim Setorial do Comércio Exterior da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), divulgado hoje. Entre os 26 principais setores exportadores, 16 tiveram desempenho negativo. Dos 29 setores importadores, 19 tiveram redução do valor importado.
O boletim alerta que a perda de atividade nas exportações fica mais clara na comparação entre o último trimestre de 1998 e o mesmo período em 1997, quando a queda chega a 12,3%, e envolve 22 setores. O recuo aconteceu mais em função da redução nos preços do que na quantidade negociada, segundo a Funcex.
O efeito mostrou-se mais forte nas exportações, que, ao contrário das importações, aumentou a quantidade de cargas vendidas. As quantidades importadas de alguns produtos foram "severamente afetadas" pelo desaquecimento da economia brasileira e pelas medidas de proteção comercial (como as medidas de salvaguardas sobre têxteis, vestuários e brinquedos), segundo análise da fundação.
O acompanhamento do desempenho exportador por setores de produção, segundo o boletim, revela que, no ano passado, os que tiveram maior crescimento foram os de veículos automotores (12 3%), peças e outros veículos (12,3%), extrativa mineral (12,1%), açúcar (9,7%) e indústrias diversas (8,6%). Apenas este último setor, no entanto, manteve a tendência de crescimento no final do ano, quando a crise brasileira agravou-se após o calote russo.
Os setores exportadores com as maiores quedas foram: metalurgia de não ferrosos (-21,7%), óleos vegetais (-21%), café (-16%), outros produtos alimentares (-12,8%), têxtil (-11,7%) e calçados (-11,4%). O fator principal para o desempenho dos setores com maior crescimento foi a quantidade de mercadoria vendida para o exterior, de acordo com a Funcex, e a redução nos preços foi a maior responsável pela perda de receita dos setores com pior desempenho.
Importações - Em comparação com 1997, o ano de 1998 registrou uma queda de 6,2% na despesa com importações, segundo o boletim da Funcex. Os produtos mais afetados foram petróleo e carvão (-32,2%), calçados, couros e peles (-27,4%), têxteis (-25 2%) e produtos da extrativa mineral (-24,6%). Entre os aumentos de importações, destacaram-se os setores siderúrgico (15,3%), de laticínios (11,9%), veículos automotores (11%), beneficiamento de produtos vegetais (8,7%) e farmacêutica e perfumaria (8,7%).
O índice de quantidade das importações registrou queda de 0,7%, com destaque para as reduções de compras de produtos têxteis (-26,6%), artigos de vestuário (-23,3%), calçados, peles e couros (-20,9%), carnes (-15,2%) e plásticos (-13,9%). No caso de derivados de petróleo e petroquímico, a queda nos preços mais do que compensou o aumento na quantidade importada. Assim, embora a quantidade de derivados importada tenha aumentado em 10%, as despesas com as compras destes produtos caíram em 13 9%.

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