São Paulo, 24 (AE) - O comércio paulista está mais pessimista com o sucesso do Plano Real. A nota dada pelos comerciantes de São Paulo ao real caiu para 5,15 em fevereiro, ante 5,86 atribuída em janeiro, numa escala de 1 a 10, segundo Pesquisa de Opinião do Comércio (POC) realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP). De acordo com análise do economista da entidade, Fábio Pina, esta é a nota mais baixa desde que o plano foi criado, há quatro anos.
O estudo ressalta que a avaliação do real pelos comerciantes está cada vez mais perto de uma "nota vermelha". A POC é feita mensalmente pela entidade com entrevistas com cerca de 800 lojistas paulistanos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) que foi divulgado pela FCESP na segunda-feira, também registrou queda de 22,23% em fevereiro ante janeiro, a maior queda observada desde março de 95, quando o indicador caiu 14,37%.
"Há espaço para novas quedas da nota do Plano Real, no caso de a inflação subir nos próximos meses", prevê Pina, acrescentando que a nota atual já reflete a desvalorização cambial ocorrida na primeira quinzena de janeiro. "O desemprego
as altas taxas de juros e o déficit público sempre tiveram pesos menores quando se tratava da avaliação do real. A moeda forte superava todos os aspectos negativos, mas isto não está mais ocorrendo, uma vez que a moeda não é mais tão estável em relação ao dólar", diz o economista.
A opinião dos empresários do comércio, com relação ao futuro do País e de suas próprias empresas, também está prejudicada em comparação com a pesquisa realizada há um mês. Os dados mostram que em fevereiro a avaliação de como serão os próximos 12 meses em relação aos 12 últimos para o País foi considerada pior para 36,91% dos pesquisados ante 30,13% no mês anterior. A mesma pergunta feita com relação ao futuro da empresa pesquisada também registrou piora de 30,08% em fevereiro em comparação a 20,52% registrado em janeiro.
De acordo com Pina, nesta pesquisa os efeitos da desvalorização cambial em termos efetivos e psicológicos já são sentidos e captados. Durante os quatro anos de Plano Real a confiança e as expectativas tanto de empresários quanto de consumidores estiveram ligadas à estabilidade da moeda brasileira.
"A falta de crédito, de consumidores e a alta da inadimplência percebida em termos gerais também fazem com que as respostas ganhem um tom mais negativo", diz Pina. Na sua avaliação, outros indicadores macroeconômicos reiteram as perspectivas de que a situação está pior atualmente do que há um mês. "O primeiro trimestre de 99 tende a ser um período de grandes dificuldades, e o ânimo dos empresários ainda pode ser reduzido nas próximas pesquisas, de acordo com os acontecimentos econômicos dos próximos dias e semanas".
Estoques baixos - Os estoques, com base nos números revelados pela pesquisa, estão cada vez menores, em consequência das vendas em queda e da expectativa de giro mais lento das mercadorias. Entre os pesquisados, apenas 10% têm estoques acima do registrado em janeiro, enquanto 42% mantiveram o mesmo volume e 48% têm níveis inferiores. As encomendas dos comerciantes às indústrias também cairam em fevereiro. A direção do movimento ainda é considerada normal na análise do economista mas as quedas de encomendas têm sido relativamente altas.

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