São Paulo, 24 (AE) - A situação econômica no Brasil, neste mês, para 57% dos empresários do comércio varejista da região metropolitana de São Paulo, continua igual à de dezembro de 1999. Os dados são da Pesquisa de Opinião do Comércio (POC), que mede o sentimento dos varejistas em relação à sua atividade e à economia do País. A POC revela, entretanto, que a confiança dos empresários, em termos de melhores perspectivas para a própria empresa no ano 2000, aumentou para cerca de 44% dos entrevistados. Em dezembro de 1999, esse número era de 37%.
Segundo a pesquisa, 31,6% dos entrevistados acreditam que atualmente a economia brasileira está pior em janeiro que o dezembro de 99. Os dados da pesquisa, elaborada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) e divulgada em parceria com a Agência Estado, revelam sinais positivos nas expectativas para o futuro econômico do País. No mês passado cerca de 20% dos estabelecimentos comerciais apostavam numa recuperação do Brasil contra 25% em janeiro de 2000.
A nota média atribuída ao Plano Real, segundo a POC, também revela um futuro esperançoso quanto a atividade econômica brasileira. Entre os entrevistados que atribuíram notas de 5 a 6
houve elevação de 37,6%, em dezembro, para 41% neste mês. Já os que deram notas abaixo de 4 estão 46% dos pesquisados contra 52 1% no mês passado. Segundo a pesquisa, no que se referem aos estoques, os números estão praticamente constantes em relação ao mês anterior. Para 14,5% dos entrevistados o volume de mercadorias, neste mês, está maior do que o verificado em janeiro de 98. Em dezembro de 99 o percentual verificado foi de 15,3%.
Aproximadamente 40% dos varejistas continuam com estoque equivalente ao de janeiro do ano passado contra 41% verificado em dezembro de 99. Para 42,63% os estoques estão abaixo do apresentado em igual mês de 99 contra 41,48% do registrado em dezembro último.
O movimento das vendas para 16,16% dos empresários aumentou neste mês. Em janeiro do ano passado apenas 5,9% disseram que a comercialização estava maior do que o mesmo período de 1998. O número de estabelecimentos comerciais que aceitam cheques pré-datados em janeiro de 2000 é cerca de 77%, enquanto em 1999 essa variação era de 87%. A explicação para o fato, segundo os economistas da FCESP, poder ser o volume da inadimplência causada pelos cheques devolvidos. Para 26% dos entrevistados que aceitam essa forma de pagamento em suas empresas, os cheques pré-datados respondem por mais de 30% do faturamento.
A comparação entre a inadimplência e o faturamento, neste mês, é superior a 10% para 5,17% dos lojistas em janeiro do ano passado. No mês anterior eram 4,047% . O setor mais atingido pela inadimplência foi o comércio automotivo para 11% dos entrevistados. O indicador da inadimplência, segundo a POC, apresenta uma certa estabilidade neste mês em relação a dezembro de 1999, "porém continua elevada mas com certa tendência de queda", revela a pesquisa.
As encomendas do comércio varejista à indústria, em janeiro de 2000, estão menores para 37,3% dos empresários contra 30,1% registrado no mês passado. Entre os segmentos que mais deixaram de fazer encomendas estão o comércio automotivo (para 42,46%) e de bens semiduráveis (para 39%). Para 7,5% dos entrevistados as encomendas estão maiores que as de dezembro de 1999, enquanto para 10,28% elas aumentaram em relação a novembro do mesmo ano.
"Percebe-se um indício de que o ligeiro aumento da produção industrial não tem sido causada pela demanda interna, confirmando, portanto, a hipótese de que o aumento das exportações é a principal causa", acreditam os economistas da FCESP.

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